Campo e Lavoura – Gente do Campo – Prêmio concedido por Zero Hora e Farsul reconhece produtores rurais

Agropecuaristas gaúchos referências em suas áreas de atuação receberão distinção no sábado à noite, durante a 39ª Expointer

Prêmio concedido por Zero Hora e Farsul reconhece produtores rurais Joseani Mesquita Antunes, Guilherme Jordani, Lázaro Davi Machado dos Santos, Egis Porto, Félix Zucco / Embrapa, Randon, arquivo pessoal, Especial e Agência RBS/Embrapa, Randon, arquivo pessoal, Especial e Agência RBS

Ivonei Librelotto (acima, esq.), Raul Randon (abaixo, esq.), Aldo Machado dos Santos (acima, dir.), Laurence Duarte (centro, dir.) e Luís Fernando Cavalheiro Pires (abaixo, dir.)Foto: Joseani Mesquita Antunes, Guilherme Jordani, Lázaro Davi Machado dos Santos, Egis Porto, Félix Zucco / Embrapa, Randon, arquivo pessoal, Especial e Agência RBS / Embrapa, Randon, arquivo pessoal, Especial e Agência RBS

O prêmio Gente do Campo, que distingue produtores gaúchos referências em suas áreas de atuação no agronegócio, será entregue no próximo sábado, durante a 39ª Expointer. Neste ano, serão reconhecidos cinco pessoas nas categorias Tecnologia, Empreendedorismo, Jovem, Produtor do Ano e Revelação.

Os agraciados foram escolhidos pela contribuição com o desenvolvimento do agronegócio no Estado. Esta é a terceira edição da premiação, realizada por Zero Hora e pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). A ideia é valorizar bons exemplos na agricultura e na pecuária, reconhecendo dedicação e profissionalismo.

— A intenção é tirar do ineditismo pessoas que se destacam na atividade que desenvolvem — ressalta o presidente da Farsul, Carlos Sperotto.

Segundo Andiara Petterle, vice-presidente de Jornais e Mídias Digitais do Grupo RBS, a distinção visa que as boas práticas adotadas pelos produtores sejam de amplo conhecimento no setor.

— Reafirmamos e ampliamos o compromisso da Zero Hora com os gaúchos e as causas do Estado. O prêmio reflete a relevância do agronegócio para o Rio Grande do Sul, e dar visibilidade a ele é incentivar o desenvolvimento local — destaca Andiara.

Produtor do ano

Há nove anos o produtor Ivonei Librelotto, de Boa Vista das Missões, implantou o  sistema integração lavoura-pecuáriaFoto: Joseani Mesquita Antunes / Divulgação,Embrapa

"Conseguimos equilibrar as atividades. Hoje a agricultura contribui para a pecuária e a pecuária contribui para a agricultura."
Ivonei Librelotto, 49 anos, Boa Vista das Missões

Preocupado com a rentabilidade da propriedade e, ao mesmo tempo, com o ambiente, o produtor rural Ivonei Librelotto, de Boa Vista das Missões, viu na integração lavoura-pecuária um caminho para aperfeiçoar o manejo de forma sustentável.

O trigo duplo-propósito, que permite o pastejo e a produção de grãos, é um dos pilares do sistema, implantado há nove anos. Pioneira no uso da cultivar, a fazenda é uma unidade modelo da Embrapa Trigo. Em área de 111 hectares, Librelotto faz rotação de cultura: planta soja e milho no verão, enquanto no inverno cultiva trigo e aveia consorciada com trevo ou azevém. Desta forma, toda a terra é ocupada durante o ano todo.

A carga animal varia de 60 a 200 animais de corte e o ajuste é feito de acordo com a oferta de pastagem.

Por meio deste modelo, o produtor conseguiu dobrar a renda líquida, chegando a R$ 3 mil por hectare ao ano na média dos últimos cinco anos. Em um modelo tradicional, o solo é ocupado apenas 42% do tempo e a renda líquida é a metade do valor atingido por Librelotto.

Formado em Administração de Empresas, dá palestras sobre agricultura sustentável no Estado. Desde 2008, já recebeu mais de 10 mil agricultores do país em sua propriedade.

Tecnologia

Raul Randon investiu 6 milhões de euros em equipamento  francês que faz a classificação computadorizada das maçãsFoto: Guilherme Jordani / Divulgação

"Vejo reconhecido mais de três décadas de trabalho no campo. A terra é generosa e devolve em alimentos todo o cuidado que dedicamos à natureza."
Raul Randon, 87 anos, Caxias do Sul

Foi com muito trabalho, mas sempre com olhos em tecnologia de ponta, que o multiempresário de Caxias do Sul Raul Randon, conhecido pela atuação nas áreas industrial, de serviços e rural, consolidou, ao longo das três últimas décadas, a Rasip Alimentos. Aos 87 anos, seu Raul, como é conhecido, permanece na ativa com sua visão de empreendedor. Recentemente, investiu 6 milhões de euros na modernização da unidade de beneficiamento de maçãs. Por meio do novo equipamento, importado da França, é possível fazer a classificação computadorizada das frutas por tamanho, cor e qualidade. A máquina tem capacidade para processar 80 mil toneladas ao ano. Atualmente, a Rasip tem 1,1 mil hectares de pomares e produz 50 mil toneladas de maçã por ano – o restante da capacidade é destinado ao beneficiamento de frutas de terceiros. Com sede em Vacaria, a Rasip Alimentos atua na produção de maçãs, queijo tipo grana e outros produtos lácteos, além do cultivo de uvas para vinhos e, mais recentemente, na produção de azeite de oliva.

A empresa tem 900 funcionários, número que triplica em época de colheita, com a contratação temporária de 2,2 mil trabalhadores para a safra. O empreendedor se diz realizado com a trajetória construída.

— Cuidando bem disso tudo, já tem bastante coisa para fazer — avalia seu Raul.

Empreendedorismo

O apicultor Aldo Machado dos Santos, presidente da Coopampa, é precursor na exportação de mel no EstadoFoto: Lázaro Davi Machado dos Santos / Divulgação

"O trabalho das abelhas influencia na produção de alimentos. Estes insetos responsáveis pela polinização são necessários para a nossa sobrevivência."
Aldo Machado dos Santos, 55 anos, São Gabriel

O apicultor Aldo Machado dos Santos, que trabalha há 35 anos com a criação de abelhas em São Gabriel, é precursor na exportação de mel no Rio Grande do Sul. Presidente da Cooperativa Apícola do Pampa Gaúcho (Cooapampa) há dois mandatos, desde 2013, ele está à frente de negociações para comercializar o excedente de mel produzido no Estado, que tem 32 mil apicultores e produz cerca de 10 mil toneladas de mel por ano, em média, com excedente de 4 mil toneladas. Desde 2014, as exportações para Estados Unidos e a China têm sido feitas por meio de parceria com empresas de Santa Catarina e do Paraná. Mas com investimentos em frota de caminhões e estrutura própria para processar o produto, a Cooapampa pretende dar início às exportações diretas até o fim do ano. Com a iniciativa, serão beneficiados 16 mil produtores gaúchos.

Aos 55 anos, Santos se diz satisfeito com as recentes conquistas da cooperativa. O dirigente chama a atenção para "a importância do trabalho ambiental que a abelha presta", destacando que os insetos são responsáveis pela polinização de 63% dos alimentos consumidos pelos humanos. Sobre a premiação, comemorou:

— É a apicultura sendo lembrada. A atividade precisa deste reconhecimento.

Jovem

Aos 27 anos, o jovem Laurence Duarte,  de Santo Ângelo, estudou Agronomia e ajudou a família a ampliar a produtividadeFoto: Egis Porto / Especial

"O jovem tem o papel de dominar as novas tecnologias e aliar isso à experiência dos pais e avós em busca de uma produção sustentável e rentável."
Laurence Duarte, 27 anos, Santo Ângelo

Formado em Agronomia há cinco anos, Laurence Duarte levou o conhecimento técnico adquirido na universidade para as propriedades do pai, em Santo Ângelo, e dos avós, em Catuípe, que juntas totalizam 1,5 mil hectares. A família, que trabalha com pecuária de corte e com a produção de grãos, viu a colheita das lavouras crescer nos últimos quatro anos, desde que foi implantado o sistema de irrigação.

— O incremento foi expressivo, chegamos no teto produtivo para os padrões da região — avalia Duarte.

No caso do milho, que tinha produtividade média de 120 a 150 sacas por hectare em sequeiro, a família Duarte está colhendo de 200 a 230 sacas por hectare. O resultado também foi obtido por meio de participação no Clube de Irrigação, que dá orientações técnicas de manejo e faz intervenções na fazenda com o objetivo de acompanhar a evolução das áreas. Na soja, o rendimento médio aumentou de 55 sacas para 85 sacas por hectare. Duarte destaca que, com a irrigação, a dinâmica na propriedade muda bastante, pois é preciso plantar utilizando janelas mais curtas para viabilizar as safrinhas.

Revelação

"O profissionalismo é fundamental, não há espaço para amadores. O produtor tem que tratar a propriedade como uma empresa." 
Luís Fernando Cavalheiro Pires, 28 anos, São Luiz Gonzaga

Luís Fernando Cavalheiro Pires se divide entre a Capital e o Interior,  onde auxilia na propriedade da famíliaFoto: Félix Zucco / Agencia RBS

Aos 28 anos, Luís Fernando Cavalheiro Pires divide o seu tempo entre o trabalho na Capital e as responsabilidades no Interior, onde a família trabalha com grãos e pecuária de corte. Formado em Direito, auxilia na administração das propriedades dos pais e avós em São Luiz Gonzaga e Bossoroca.

— Todas as decisões são tomadas em conjunto — destaca, referindo-se a investimentos em maquinários e aquisição de novas áreas.

No campo, Pires cuida dos contratos e das cotações de preços. Para resolver questões que exigem contato presencial, costuma viajar para o Interior a cada 15 dias. O jovem chama a atenção para a importância de quem trabalha no campo estar atento a questões como gestão, clima e legislação, além do manejo correto da propriedade.

Em Porto Alegre, está à frente da Comissão Jovem da Farsul e também é assessor jurídico ambiental do Sistema Farsul, no qual ainda atua como assessor parlamentar, acompanhando pleitos do setor e projetos de lei que são de interesse dos produtores rurais.

A CERIMÔNIA

O quê: Entrega dos troféus do prêmio Gente do Campo
Quando: sábado, 27/8, a partir das 18h
Local: Casa da Farsul no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio

Fonte : Zero Hora

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