CAMPO E LAVOURA – Gafanhotos "locais" nas lavouras do Estado

Os gafanhotos identificados no Rio Grande do Sul pertencem à mesma família, mas não são do mesmo tipo que resultou em grandes nuvens na vizinha Argentina há cinco meses. Os encontrados no Estado não percorrem grandes distâncias, o que também afasta a hipótese de relação com o foco recente registrado na província argentina de Misiones. As espécies em território gaúcho são Zoniopoda iheringi e Chromacris speciosa.

– São endêmicas. Há registro do gênero Zoniopoda em países como Brasil e Argentina e Estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina – afirma o entomologista Jerson Guedes, entomologista coordenador do Laboratório de Manejo Integrado de Pragas da UFSM.

O profissional esteve a campo e coletou novas amostras para aprofundar os estudos. Até ontem, cinco municípios tinham casos (Santo Augusto, São Valério do Sul, Bom Progresso, Coronel Bicaco e Campo Novo).

A identificação das espécies foi feita pela entomologista da PUCRS Kátia Matiotti. Ela explica que não há registros de problemas grandes na agricultura causados pela Zoniopoda iheringi. E reforça:

– Não é da família da nuvem, não tem hábitos migratórios.

O surgimento no Estado estaria relacionado às condições de tempo (quente e seco). São tipos de gafanhotos que costumam aparecer em áreas de matas. Mas os casos de agora intrigam os pesquisadores, porque estão ocorrendo em várias localidades. Em São Valério do Sul, depois de atacarem os timbós (tipo de planta), foram para lavoura contígua. Os danos não são consideráveis – cerca de 5% da área foliar.

O surgimento no Estado estaria relacionado às condições de tempo da região noroeste (quente e seco).

– Nossa prioridade é avaliar o risco de dano nas lavouras e, com isso, buscar adotar medidas necessárias – completa Ricardo Felicitti, Chefe da divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria da Agricultura.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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