CAMPO E LAVOURA | Frigoríficos anseiam pela publicação de protocolo federal

Os frigoríficos brasileiros aguardam nesta semana a publicação de protocolo sanitário para a atividade durante a pandemia de coronavírus. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, sinalizou a dirigentes do setor que uma portaria federal deve ser publicada nos próximos dias. Inicialmente, havia expectativa de que as normas, elaboradas em conjunto pelas pastas de Agricultura, Economia e Saúde, fossem publicadas na semana passada.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, acredita que a diretriz poderá evitar novos casos de interdições em frigoríficos. O dirigente avalia que hoje as plantas estão sujeitas a regras em variadas esferas, o que acaba causando confusão.

– Uma portaria federal vai funcionar como um guia prático, estabelecendo um instrumento jurídico que disciplina a atividade. Ela não vai permitir que cada ator tome uma decisão isolada para fechar uma planta – acredita Turra.

A disseminação da covid-19 entre os trabalhadores das plantas colocou os abatedouros no foco dos órgãos de fiscalização em todo o país. No momento, o Brasil tem apenas uma planta interditada, em Rondônia. Entre o final de abril e a primeira quinzena de maio, o Rio Grande do Sul chegou a ter três unidades totalmente paralisadas: uma em Passo Fundo (JBS) e duas em Lajeado (BRF e Minuano). Todas já estão liberadas.

No início de maio, o governo federal publicou documento com orientações aos frigoríficos. A procuradora responsável pelo projeto de fiscalização de frigoríficos do Ministério Público do Trabalho (MPT) no Rio Grande do Sul, Priscila Schvarcz, avalia que as sugestões não surtiram efeito. Para ela, é necessário reforçar as exigências em relação ao uso de equipamentos de proteção individual e ao distanciamento entre pessoas dentro da indústria.

– Estamos vendo que há medidas que foram implantadas e não são eficazes. É necessária a atualização, mas nos causa surpresa que uma associação privada, a ABPA, seja a maior voz neste debate – pondera.

Para Priscila, o protocolo seria positivo, desde que construído em conjunto por empresas, MPT e sindicatos.

FERNANDO SOARES | INTERINO

Fonte: Zero Hora