CAMPO E LAVOURA | Foco no vinho natural

Fazer um vinho natural, com o mínimo de intervenção no processo de vinificação e sem preocupação com a quantidade. Partindo dessa premissa, uma nova vinícola surgiu no Estado. Trata-se da Outro Vinho, iniciativa criada neste ano e que irá colocar os primeiros rótulos no mercado em dezembro. Estreando na "safra das safras", a empresa realiza a pré-venda de kit com seis garrafas de bebidas feitas com uvas cabernet sauvignon, chardonnay, pinot noir e traminer.

– Demos uma sorte incrível, as uvas estavam com muita qualidade. É legal começar com uma safra assim e será uma responsabilidade grande manter o nível – diz o historiador da arte Pedro Cupertino (ao centro na foto), que criou o negócio com os cineastas Davi Pretto e Paola Wink.

Cupertino relata que a ideia de ingressar na vitivinicultura veio do crescente interesse do trio de amigos em relação aos vinhos naturais. Esse tipo de bebida se diferencia da produção convencional pelo processo de vinificação, descartando o uso de conservantes, clarificantes ou leveduras selecionadas.

– A ideia é fugir do convencional. O vinho de pouca intervenção tende a expressar o sabor da uva de cada ano, que é diferente – compara Cupertino.

A microvinícola, como a Outro Vinho se define, adquiriu seis toneladas de uvas de produtores da Campanha e dos Campos de Cima da Serra, duas regiões gaúchas que, nos últimos anos, passaram a figurar no mapa da produção de uvas viníferas. O processo de vinificação foi conduzido em uma vinícola no Vale do Taquari e resultou em uma produção de 2,8 mil litros. O kit com os seis rótulos é vendido a partir de R$ 600 no site outrovinho.com.br.

470 toneladas

de alimentos foram obtidas pela campanha por meio de parcerias, pontos de coleta e doações. Beneficiaram a 33,5 mil famílias – ou 134,2 mil pessoas – e tiveram como principal fonte a agricultura familiar e a orgânica.

Uvas que contam história

Foram cinco anos de preparação para colocar em uma garrafa os sabores e os aromas capazes de representar 90 anos de história da Vinícola Aurora, na Serra. O vinho que agora chega ao mercado em comemoração à data tem edição limitada, com 36 mil garrafas, e foi cuidadosamente elaborado ao longo desse período. Traz uma combinação de safras especiais (2015, 2018 e 2019) e variedades: cabernet sauvignon, merlot, tannat e cabernet franc.

– Muito estudo e muitas degustações foram a base para encontrar um blend (corte) feito com vinhos que tiveram diferentes características e o equilíbrio perfeito para se chegar no resultado final – explica Flavio Zilio, enólogo-chefe da Aurora.

A cooperativa, com sede em Bento Gonçalves e atuação em 11 municípios da Serra, soma hoje 2,8 mil hectares de uvas, cultivados por 1,1 mil famílias, para a produção de suco, vinhos finos e espumantes. Uma das tradições consolidadas desde os 50 anos é a elaboração de um rótulo comemorativo a cada cinco anos. O produto entregue agora começou a ser pensado em 2016, com a definição do corte no início do ano passado. Na elaboração, foram cinco degustações prévias e, no final do processo, a grande prova. O Aurora 90 anos ficou um ano em barricas de carvalho americano. E traz no rótulo um QR Code que permite ao consumidor conhecer a história da cooperativa.

– Mais do que outros produtos, são garrafas que têm alma -completa o enólogo.

Neste ano, a safra da cooperativa somou 90,1 milhões de quilos de uvas, volume histórico, ajudando a recompor os estoques com qualidade, observa Hermínio Ficagna, diretor-superintendente.

Os três primeiros meses do ano têm sido promissores: as vendas de espumantes têm alta de 16% e as de vinhos finos, 70%. O que reforça a confiança de crescimento mínimo de 5% em 2021, mesmo com os desafios que se mantêm por conta da pandemia.

Solidariedade

Ao fazer um balanço do alcance da solidariedade ao longo do último ano, o Comitê Gaúcho de Emergência no Combate à Fome reforçou a necessidade de manter a mobilização por doações de alimentos. Em abril do ano passado, em meio à pandemia, foi organizada ação, com a ajuda de parceiros, para atendimento de famílias em vulnerabilidade social.

– Vamos fazer uma prestação de contas, para dizer às pessoas que deu certo, mas a fome continua, precisamos continuar colaborando – reforça Juliano de Sá, presidente do Consea, conselho que coordena o comitê, junto com os núcleos regionais das organizações Ação da Cidadania e Cáritas.

fernando.soares@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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