CAMPO E LAVOURA | Exportações brasileiras do agronegócio têm mês histórico No ritmo da música

Números dos embarques brasileiros do agronegócio divulgados pelo Ministério da Agricultura reforçam a máxima de que o setor não parou em meio à pandemia (leia mais abaixo). Em receita, o mês passado foi o melhor junho da série histórica, alcançando US$ 10,17 bilhões. Resultado alimentado por produtos como soja e carnes, pela variação cambial e por compradores como a China. Soma-se a isso, a safra recorde colhida no país e se chega aos ingredientes que justificam a performance.

Na ponteira dos embarques está o complexo soja. E, dentro dele, o produto em grão. O volume de 13,75 milhões de toneladas vendidas em junho representam alta de 60,8% na comparação com igual mês de 2019. E os US$ 4,67 bilhões, 61,9%. No acumulado do ano, também há cenário de alta, em menor proporção, mas na casa do dois dígitos e acima de 30%.

Principal comprador do produto brasileiro – e ainda em guerra comercial com os Estados Unidos – a China pesou a mão: foi destino de 70% da soja em grão exportada em junho.

O apetite também se refletiu em outros itens, como a proteína animal. Os destaques foram as carnes suína e bovina, com aumento de volume e de receita. Metade de todos os embarques dessas proteínas serviu para colocar a mesa dos chineses. No frango, junho registrou queda. Ainda assim, o país asiático foi destino de 23,7% do total embarcado.

As informações específicas do Rio Grande do Sul devem ser conhecidas somente em agosto, quando o Departamento de Economia e Estatística da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão deve apresentar os resultados do segundo trimestre.

No primeiro, as vendas do setor como um todo registraram recuo. Os resultados do principal produto do Estado, a soja, aparecem com força no segundo trimestre, com a entrada da nova safra. Há de se lembrar, no entanto, que a estiagem diminuiu em 40% o volume produzido. Justamente quando as cotações alcançaram, em reais, patamares históricos. Haverá grande impacto no faturamento de produtores gaúchos, e também redução da oferta destinada a abastecer o mercado externo.

Foi com o objetivo de tornar o trabalho do produtor de suínos menos penoso que surgiu a tecnologia do RobôAgro, desenvolvida por uma empresa gaúcha. Ao longo dos anos, o aperfeiçoamento permitiu incorporar outros recursos à invenção. A versão atual distribui de forma precisa o alimento, permite o acompanhamento em tempo real, ajustes, se necessários, e dados referentes ao ciclo. Tudo isso, ao som de música clássica. A trilha proporciona tranquilidade, trazendo bem-estar aos animais.

Diretor da empresa, Giovani Molin conta que hoje existem 400 robôs atuando em granjas dos três Estados do Sul, que respondem por cerca de 70% da produção de suínos do país. A maior parte é adquirida via financiamentos do Plano Safra.

– Ele percorre toda extensão do galpão e vai largando em cada baia a quantidade programada para cada animal. É feito monitoramento por câmera e, a cada trato realizado, dados são enviados para a agroindústria ou podem ser acessados pelo produtos por aplicativo – explica.

Como o processo é automático, mesmo o produtor estando longe de casa, os animais serão tratados no horário programado.

– É a suinocultura de precisão. Com robô, se acompanha o que foi previsto e o que foi realizado, podendo corrigir e ter melhores resultados sem ter de esperar o fim do ciclo de engorda – completa o diretor.

A automação se alinha aos movimentos que vêm sendo feitos pelo setor. Diretor-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin observa que o uso da internet das coisas, para medir índices, e o blockchain são caminhos a serem percorridos para que se tenha maior competitividade no cenário global. As ferramentas ajudam a tornar os processos mais eficientes, garantindo melhor gestão dos custos para produtor e indústrias – na maioria, o setor trabalha com sistema integrado.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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