CAMPO E LAVOURA | Estiagem faz Estado cair uma posição no ranking de produção

Um dos principais produtores de grãos do país, o Rio Grande do Sul será ultrapassado, neste ano, por Goiás em volume de produção. Efeito direto da estiagem que castigou sobretudo lavouras de soja e reduziu em mais de 9 milhões de toneladas a colheita gaúcha da atual safra em relação ao ciclo anterior.

Na próxima segunda-feira, IBGE e Companhia Nacional de Abastecimento apresentam novo levantamento da safra. E devem confirmar as perdas no Rio Grande do Sul. Como a colheita já se encerrou, a expectativa é saber o tamanho do ajuste – se é que haverá – em relação aos dados do mês passado. Outra informação sobre a qual se tem expectativa é o resultado nacional. As projeções são de recorde para o grão. Há quem avalie, no entanto, que o recuo da produção gaúcha poderá impactar o número do país.

Pelos últimos dados da Conab, pouco mais de 1 milhão de toneladas separam o resultado da produção de grãos (incluídas as culturas de inverno) do RS e de Goiás, quarto e terceiro lugares no ranking nacional. Ficam à frente, ainda, Paraná e Mato Grosso.

– Sempre disputávamos o segundo lugar com o Paraná. A situação do Estado neste ano é fora do comum. Nunca houve algo parecido com essa combinação de seca e covid-19 – avalia Décio Teixeira, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja-RS).

No panorama apresentado ontem pelo secretário da Agricultura, Covatti Filho, no Tá Na Mesa virtual da Federasul, que aponta perda de R$ 15 bilhões em valor bruto da produção no Estado, voltou-se a falar em irrigação. Nem 3% da área de verão é irrigada. A necessidade de "desburocratização", a deficiência no fornecimento de energia elétrica e a falta de linhas de crédito atrativas foram citadas como obstáculos.

Neste momento, há de se acrescentar as barreiras trazidas por perda de renda e dificuldades de renegociação.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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