CAMPO E LAVOURA | Estado quer ter novo programa de fomento para a irrigação Matéria-prima das boas

Com a estiagem ainda cobrando seu preço no Estado, é natural e quase obrigatório que o tema irrigação volte ao centro dos debates. Ontem, a primeira reunião virtual da câmara temática criada pela Secretaria da Agricultura "lotou". A ferramenta escolhida para o encontro atingiu sua capacidade máxima, de cem pessoas. Dados apresentados pela pasta mostram que, de 1º de janeiro de 2012 até 1º de junho de 2020, o Rio Grande do Sul teve 750 processos de situação de emergência reconhecidos pela União, o que lhe coloca na quinta posição em ranking nacional, atrás de Minas Gerais, Pernambuco, Bahia e Paraíba. Na análise da área irrigada entre os maiores produtores de culturas no sequeiro (soja, milho, trigo e feijão) também ocupa o quinto lugar. Mas com um percentual bem aquém dos "concorrentes". Apenas 2,9% do cultivado, ao passo que São Paulo, na primeira posição, tem 34%. Claro, é preciso lembrar que há grandezas diferentes envolvidas. Os paulistas usam, no total, 1,6 milhão de hectares para esses produtos. Os gaúchos, 6,86 milhões. Mato Grosso, hoje maior produtor de grãos do país, tem área de 13,76 milhões de hectares e só 0,7% com o uso da tecnologia.

A diferença está nas particularidades de cada Estado. O RS tem índice pluviométrico anual de 1,6 mil milímetros, mas com distribuição irrregular. E há anos como este, em que falta umidade em todo território – e o que varia é a intensidade.

A secretaria trabalha com a perspectiva de moldar um novo programa de irrigação – hoje está vigente o Mais Água, Mais Renda, criado em 2012. A nova proposta ainda está em construção. Diretor de Políticas Agrícolas da Agricultura e coordenador da câmara, Ivan Bonetti explica que abriu-se prazo para receber sugestões.

Em um esboço para a agricultura familiar, a proposta seria a de busca de crédito existente nos bancos e posterior pagamento de subsídio por parte do Estado. E, de forma geral, encontrar formas de vencer gargalos no licenciamento e no fornecimento de energia elétrica de qualidade.

O primeiro encontro agradou pela abrangência da participação. E pelo consenso de que não se pode mais esperar por perdas para dar um passo adiante. O desafio está em fazer a proposta construída vingar, com a segurança em relação às garantias sinalizadas. Sejam financeiras ou operacionais. Sob pena de fazer o interesse minguar com a próxima chuva.

Matéria-prima das boas

Depois do leite, que ganhou as redes sociais por conta de desafio lançado para incentivar o consumo, será a vez do vinho buscar espaço na grande vitrine das plataformas virtuais. Ação lançada pela Associação Brasileira de Enologia (ABE) e que se estende até o dia 5 de julho quer conhecer como surgiu a paixão pelo universo vinícola. O formato escolhido surgiu da percepção de que a pandemia fez as pessoas reviverem e compartilharem memórias.

– Notamos que há muito espaço para boas histórias, bons exemplos. Também é uma forma de provocar o consumidor nessa nova rede de contatos – explica o enólogo Daniel Salvador, presidente da ABE.

Para incentivar a participação na gravação dos vídeos com esses relatos, que deverão ter no máximo um minuto de duração e ser postados com a #euamovinhobrasileiro, os organizadores optaram por um sorteio. Que vai dar ao vencedor o direito de receber, todos os meses, durante um ano, caixa com seis grarafas de vinho. Outros quatro serão sorteados para participar da Avaliação Nacional de Vinhos da Safra 2020, que neste ano foi reagendada para 7 de novembro. O evento ocorre em Bento Gonçalves, na Serra.

Matéria-prima o Brasil tem. O país soma 1,1 mil vinícolas em 26 regiões de 10 Estados diferentes. A produção anual gira em torno de 310 milhõs de litros, conforme a safra de uva. O Rio Grande do Sul tem posição de destaque, por concentrar cerca de 90% da produção da bebida. Neste ano, o Estado teve colheita de qualidade histórica.

A proposta da associação foi lançada, como não poderia deixar de ser neste momento, em uma live no dia do vinho. Teve a participação da sommelier argentina e apresentadora Cecília Aldaz; do chef, empresário e apresentador francês Olivier Anquier e do sommelier brasileiro Rodrigo Ferraz, que também dividiram seus relatos.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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