CAMPO E LAVOURA | Estado pode ter parecer sobre aftosa ainda nesta semana

Depois de nove horas de análise no primeiro dia, prossegue hoje a avaliação realizada pelo Ministério da Agricultura no processo para o Rio Grande do Sul ser livre de aftosa sem vacinação. Nessa etapa, é feita a verificação do andamento de ajustes solicitados em auditoria realizada presencialmente no ano passado. Foi elaborado um plano de ação para que se cumprissem os 18 itens mapeados naquela ocasião. E esse documento é minuciosamente revisado pelo grupo de cinco auditores (quatro do Rio Grande do Sul e um de Brasília).

– São 77 linhas de ação. Para cada, pontuamos tudo que foi feito. E, às vezes, todos perguntam sobre o item. Por isso que é bastante demorado. Eles participam ativamente, cada um tem suas dúvidas – explica Rosane Collares, diretora do Departamento de Defesa Agropecuária da Secretaria da Agricultura.

Um dos pontos a serem executados pelo Estado é a contratação de 150 agentes administrativos. Ontem, 28 empresas manifestaram interesse no processo de licitação. Outro requisito, a aquisição de 72 veículos foi feita e está pela entrega.

Além disso, avalia-se o andamento do plano estratégico para evolução do status sanitário do RS. A expectativa é de que o parecer saia ainda nesta semana, porque existem prazos a serem obedecidos para a solicitação na Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). É o órgão internacional, com sede em Paris, que dá o certificado de zona livre sem vacinação.

– Tem questões que não foram finalizadas agora e não serão, porque o prazo é mais longo. Estamos otimistas – reforça Rosane.

Outro indicativo vem de reunião agendada para amanhã com o secretário Covatti Filho pelo Departamento de Saúde Animal do ministério, para tratar do relatório. Acredita-se que seja apresentada uma avaliação do pedido feito pelo Estado de mudança da condição para livre sem vacinação.

Se for entendido que o RS tem condições técnicas, o processo segue. É o órgão federal que encaminha formalmente a solicitação à OIE para mudança de status. O comitê de avaliação se reúne normalmente em outubro – não se sabe se haverá alteração ou não em razão da pandemia. A assembleia de reconhecimento é realizada anualmente em maio.

Estado acionado para 19 casos

Responsável pela apuração de casos de mortandade de abelhas no Estado, a Secretaria da Agricultura foi acionada por apicultores 19 vezes neste ano. O número se aproxima das 23 ocorrências verificadas em 2019. Os casos mais recentes foram na Fronteira Oeste, nos municípios de São Gabriel e Santa Margarida do Sul. Foram quatro episódios em três propriedades nos últimos 10 dias, com o número de insetos mortos podendo chegar a 8,5 milhões. Nesses casos, houve coleta de amostras para análise.

A suspeita é de que o uso de inseticidas na preparação de lavouras próximas seja a causa.

Em razão da mudança de parceria para o envio no início do ano e das dificuldades pela covid-19, as primeiras amostras foram enviadas em julho para o Laboratório de Análises de Resíduos de Pesticidas (Larp) da UFSM. Ainda não há resultado.

Gustavo Diehl, um dos coordenadores do programa de sanidade apícola da secretaria, orienta que, em casos de mortandade, produtores acionem a inspetoria de defesa agropecuária que atende o município onde está o apiário.

Recuo no preço do boi gordo

Se para o consumidor a carne se manteve em alta para o produtor gaúcho, julho teve um cenário diferente. O valor médio pago pelo boi gordo no Rio Grande do Sul engatou uma sequência de queda, semana a semana. Levantamento do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro) da UFRGS mostra recuo de 12,8% entre a última e a primeira semana (veja gráfico), com a média do quilo vivo no Estado passando de R$ 7,73 para R$ 6,74.

– O preço caiu por três semanas, mas na última a redução perdeu fôlego – observa Júlio Barcellos, coordenador do Nespro.

O consumo da proteína no varejo, que se estabilizou e, em alguns cortes, teve queda, é uma das razões apontadas. Enviado aos frigoríficos, o sinal do mercado travou a alta, explica Barcellos.

Outra influência veio da maior oferta de gado, a partir da segunda quinzena de julho, marcando o início da temporada de safra, observa Ronei Lauxen, presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes do RS. Somou-se a isso a redução de abates, neste ano iniciada em março, por conta da pandemia.

– O consumo não deve aumentar, e a oferta tende a aumentar – projeta Lauxen.

Presidente da Comissão de Pecuária da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Pedro Piffero observa que a baixa no preço do boi em razão da ampliação da oferta, a partir desse período, costuma acontecer. O que chamou a atenção neste ano foi o fato de ter "baixado muito".

– O termômetro para o produtor é a escala de abates da indústria. Se a necessidade for para amanhã, a tendência é de preços melhores. Se já completou a escala da semana, procura o produto com calma – acrescenta.

Em movimento oposto, até por conta dos diferentes períodos de safra/entressafra, o valor médio do boi gordo em julho em São Paulo foi recorde para o mês, segundo o Cepea/Esalq/USP.

Virtual

A modalidade virtual foi a alternativa encontrada pela Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS) para colocar o artesanato produzido no Estado na vitrine. A tradicional Expoargs, realizada de forma simultânea à Expointer, foi cancelada em razão da covid-19.

A 1ª Exposição Virtual de Produtos de Artesanato do Rio Grande do Sul será realizada de 8 de setembro a 26 de dezembro. Serão quatro oportunidades para mostra e vendas no portal.

Para participar, é preciso ter a carteira de artesão válida. Só serão aceitas inscrições para comercialização de peças de matérias-primas e técnicas para as quais os candidatos estão habilitados, conforme o documento. Informações e fichas de inscrição estão em artesanatogaucho.rs.gov.br.

Agora são seis nuvens de gafanhotos

No momento em que você estiver lendo esta nota, o panorama poderá ser diferente. Mas até ontem a Argentina contabilizava seis nuvens de gafanhotos – cinco nuvens ativas e um agrupamento, já desmembrado. O novo enxame foi mapeado na província de Salta, a cerca de 940 quilômetros de Itaqui, na fronteira oeste do Estado.

As duas nuvens que estavam em Chaco ingressaram na província de Santiago del Estero. O enxame que estava em Formosa se aproximou da cidade de Taco Pozo, na Província del Chaco. A nuvem que estava em Salta permanece na mesma localidade, mas sem mapeamento específico. Em Entre Ríos, ponto mais próximo do RS, a 98 quilômetros de Itaqui, o grupo foi reduzido após aplicações para controle da praga.

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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