CAMPO E LAVOURA | Essencial e histórico

A atuação do serviço de vigilância agropecuária internacional se tornou essencial para manter o fluxo de chegada e partida de mercadorias em fronteiras terrestres, aeroportos e portos do país na pandemia do coronavírus. No porto de Rio Grande, servidores redobram os cuidados habituais com uso de máscaras, óculos de proteção e luvas. No momento, o desafio maior é administrar embarque de cerca de 20 mil animais para a Jordânia, no Oriente Médio. É a maior quantidade em uma única embarcação até agora.

– É uma operação de guerra: auditorias das propriedades, quarentena dos animais, inspeção no porto, verificação dos documentos, despachante, exportador – conta Soraya Elias Marredo, auditora fiscal federal agropecuária, responsável pelo trânsito internacional de bovinos.

Médica veterinária, Caroline Menezes vem trabalhando para garantir o embarque, previsto entre ontem e hoje. Ela explica que, além do protocolo sanitário exigido pelo país de destino, são observados outros aspectos, como bem-estar animal. Os planteis cumprem quarentena (neste caso, de sete dias). O navio é inspecionado antes da chegada dos exemplares (foto acima) e, depois, ocorre a fiscalização.

– Verificamos se os animais cumpriram os protocolos, observamos a lotação dos caminhões, se há algum bovino com doença e guia de trânsito – explica Caroline.

Chefe da unidade de vigilância agropecuária do porto, Ricardo Leite diz que, diariamente, são recebidas orientações. Existem atividades em que o teletrabalho é possível. Em outras, não.

– Há itens em que a verificação física não pode faltar. Hoje (ontem), fiscalizamos trigo que veio da Argentina (foto abaixo). A certificação também tem de ser feita de forma presencial – detalha Leite.

Estiagem continua em meio à colheita

A colheita da soja no Rio Grande do Sul atingiu 39% da área total cultivada, segundo levantamento semanal da Emater. Enquanto os trabalhos avançam, a falta de chuva regular segue sendo um problema para volume e qualidade do grão.

– Todo dia que passa, a dificuldade aumenta porque a chuva ocorre de forma pontual, em baixo volume, sem estancar a situação que estamos vivendo – observa Alencar Rugeri, diretor técnico da Emater.

Ele relata ainda grande variabilidade de rendimento nas lavouras do Estado, com perdas acentuadas em alguns pontos e menores dificuldades em outros.

Presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado, Décio Teixeira acrescenta ainda a dificuldade para a produção de sementes. E reforça a preocupação com a manutenção do fluxo da safra. A entidade entregou documento solicitando liberação da abertura de estabelecimentos relacionados à atividade como, por exemplo, lojas de reposição de peças e oficinas de máquinas.

Fonte: Zero Hora