CAMPO E LAVOURA – Embarques de frango do RS fecham em alta

Números consolidados de 2020 e ingredientes novos deste início de ano reforçam a estimativa da indústria de frango do Estado de que 2021 consolidará a recuperação das exportações. Terceiro no ranking nacional, o Rio Grande do Sul busca retomar a média de 2017, de 730 mil toneladas embarcadas. No ano passado, ficou mais perto de atingir a meta: despachou volume de 678,53 mil toneladas, alta de 15,82% sobre o resultados de 2019 e bem acima do desempenho nacional. Em receita, foram US$ 920,93 milhões, leve aumento de 0,95%.

– Recuperamos parte do que perdemos com os embargos da União Europeia (em 2018) e no momento de negociação com a Arábia Saudita. Estamos no caminho da reabilitação – avalia José Eduardo dos Santos, presidente-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).

Diante dos impasses, 2018 fechou com recuo significativo. Desde então, o Estado vem recuperando o espaço perdido. Foi um pouco em 2019 e outro em 2020, quando a Arábia Saudita foi o principal destino da proteína, com fatia de 30%.

Logo em seguida aparece a China, com percentual menor, 8% do total embarcado. A reabilitação da unidade de Passo Fundo da JBS para o país asiático, anunciada na quarta-feira, potencializa a chance de resultados positivos.

– Essa retomada é mais um ingrediente no caminho da recuperação – reforça Santos.

O ponto de atenção da indústria segue vindo dos custos de produção, ainda pressionados pelas cotações de insumos como milho e farelo de soja.

Entrega de merenda segue valendo

A principal notícia recebida na reunião com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, sobre a estiagem no Rio Grande do Sul foi a de que a entrega de itens do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) aos estudantes durante a pandemia segue valendo. A alteração na lei veio no ano passado para que agricultores familiares pudessem manter o canal de vendas – ao menos 30% da verba tem de ser para compra de produtos do setor.

Da audiência, participaram também o secretário de Agricultura Familiar do ministério, Fernando Schwanke, o presidente da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar, Heitor Schuch, o deputado estadual Elton Weber e Carlos Joel da Silva e Eugênio Zanetti, presidente e vice da Fetag-RS.

A ministra recebeu reivindicações, que agora serão analisadas. Ela disse ainda estar em tratativas para a suplementação de recursos do setor no Plano Safra vigente.

no radar

Começou com o trigo mas vale para outros itens a negociação iniciada ontem entre a Federação da Agricultura (Farsul) e o Piratini. Desde 1º de janeiro, está em vigor legislação federal que determina que os Estados não podem mais conceder benefícios a produtos agrícolas in natura. O trigo em grão tinha redução de alíquota, de 12% para 8%, considerada essencial para a competitividade do produto. Dado da Farsul aponta que a medida incrementou em 22% a arrecadação com o cereal.

a chuva tem beneficiado o desenvolvimento das lavouras de soja do rs, aponta levantamento semanal da emater. a maioria, 53%, está em germinação e desenvolvimento vegetativo. outros 37% estão em floração e 10% em enchimento de grão.

16,81% foi o avanço do PIB do agronegócio no Brasil nos primeiros 10 meses de 2020, aponta levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil e do Cepea. Reflexo de preços em alta, safra recorde e maior produção de suínos, aves, ovos e leite.

De encher os olhos

No ciclo em que a sequência de duas geadas e estiagem reduziu a safra de pêssego no Rio Grande do Sul, a parte final da colheita acabou tendo um gosto especial. As variedades tardias da fruta, diferentemente das precoces e das de ciclo médio, escaparam dos efeitos dos fenômenos climáticos, o que resultou em tamanho, sabor e coloração "excepcionais", aponta Enio Ângelo Todeschini, extensionista rural na Emater de Caxias do Sul:

– As três últimas (variedades) foram excepcionais de tamanho, sabor e coloração, mas as outras (precoces e de ciclo médio) também. Perderam em calibre, mas tiveram boa coloração e sabor. Então de modo geral foi uma safra de qualidade muito boa, só com volume pela metade.

Pinto Bandeira, Farroupilha, Caxias do Sul e Antônio Prado estão no topo da lista dos maiores produtores de pêssego in natura, conforme o Censo Frutícola de 2020 da Emater/RS-Ascar. Na Serra, a produção alcançou 32,85 mil toneladas das 65 mil toneladas esperadas.

Com a oferta reduzida, os preços ficaram maiores: entre R$ 3 e R$ 5 o quilo ao produtor, acima da média do ciclo anterior, de R$ 2, afirma Todeschini. Para o consumidor, ficou entre R$ 10 e R$ 15 – sobre R$ 6 e R$ 8.

Maior produtor nacional, o RS investe em pesquisa para o desenvolvimento de cultivares, que têm caído no gosto também de outros países. Duas variedades da Embrapa Clima Temperado, a BRS kampai e a BRS fascínio, estão sendo vendidas para o Canadá e para a França.

– São variedades brasileiras, cultivadas aqui, pelos nossos produtores e que chegam em países que são bastante exigentes – destaca a pesquisadora Maria do Carmo Bassols Raseira, integrante da equipe desenvolvedora.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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