CAMPO E LAVOURA | Em águas globais

O grande percalço enfrentado pelo agronegócio brasileiro nas águas do comércio global diante da disseminação do coronavírus atende pelo nome de logística. Contêineres retidos demoraram para ser entregues, provocando atraso e trazendo como consequência a escassez dessas estruturas, usadas principalmente para o embarque de cargas refrigeradas, como a proteína animal. Essa é uma das avaliações da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sobre o impacto nas exportações.

Nos dois primeiros meses do ano, a receita gerada pelos embarques do setor teve recuo de US$ 1,1 bilhão em relação a igual período do ano passado. Coordenadora de Inteligência comercial da CNA, Sueme Andrade avalia que a redução não foi significativa e que é cedo para dizer que é reflexo da pandemia:

– Boa parte dos contratos foi negociada no ano passado. Somente nos meses seguintes conseguiremos ver melhor se haverá algum impacto na balança.

Análise por produto mostra que, em alguns casos, houve alta. A China comprou em janeiro 30 mil toneladas a mais de carne bovina brasileira do que em 2019.

Em relação às commodities, a constatação é de que dias de grandes anúncios – classificação da Organização Mundial de Saúde como pandemia, decreto de situação de emergência nos EUA e divulgação da China do primeiro dia sem novos casos – mexeram com o mercado.

Consultor em agronegócios, Carlos Cogo diz que, em 12 meses, não houve quedas significativas nas cotações em dólares:

– As commodities agrícolas foram as que menos caíram.

Ele explica que os mercados futuros reagiram de forma diferente, podendo ser divididos entre os que dependem e os que não dependem do petróleo. É neste segundo que estão as quedas mais expressivas, como a do algodão (28,2%) e a do açúcar (23,1%.) No mesmo período, a soja, por exemplo, caiu 1,8%.

No mercado interno, foi diferente: bens de consumo básico registraram altas expressivas em reflexo momentâneo da corrida aos supermercados.

Fonte: Zero Hora

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