CAMPO E LAVOURA – Eleições dos EUA temperam cotações da soja em dólar

A alta registrada nos preços da soja na Bolsa de Chicago em meio à divulgação dos resultado da eleição americana rompeu o período de cautela que antecedeu os dias de votação. A disputa presidencial deu um tempero à valorização da commodity, que fechou o dia com alta de 2,08% nos contratos de março de 2021, com o bushel cotado a US$ 10,7975. Mas outros ingredientes foram importantes para dar o ponto do dia. Está nessa lista a perspectiva de seca no período de safra da América do Sul. A falta de chuva também vem atrasando a evolução do plantio no Brasil.

– Essa questão está pesando muito. O estresse climático está embutido no preço – observa Carlos Cogo, consultor em agronegócios.

O bom volume de venda de soja para a China – sim, ela mesma, apesar dos embates comerciais – é mais um fator que valoriza a soja em dólar. São os EUA que têm produto disponível neste momentos.

Os americanos estão, inclusive, vendendo para o Brasil, com quem compete no mercado global. Não são grandes volumes, mas o fato do maior produtor mundial estar comprando do concorrente, chama a atenção.

De forma geral, o mercado reagiu com otimismo a apuração dos votos. Luiz Fernando Gutierrez Roque, analista da Safras & Mercado pontua que os dois candidatos haviam foram "precificados".

Seja Joe Biden, seja Donald Trump, os analistas não veem no novo presidente a perspectiva de fim da disputa pela hegemonia travada com os chineses. Mas, sim, estilos diferentes de lidar com o tema.

– O mercado entende que a relação será mais negociada com Biden – acrescenta Índio Brasil dos Santos, sócio-diretor da Solo Corretora.

Em relação às políticas relacionadas ao agronegócio, os adversários também têm prioridades diferentes. Biden olha com atenção para os mercados de biocombustíveis e de carbono. Também tem reforçado o debate sobre a preservação ambiental.

Os números contabilizados indicavam a vitória do democrata. Mas a confirmação ficará pendente, em razão da judicialização anunciada pelo republicano. O mundo estará, temporariamente em um limbo político, o que poderá, eventualmente dar mais ou menos tempero aos fundamentos que interferem nas cotações em Chicago.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *