CAMPO E LAVOURA | Dois lados da moeda

No duelo de forças do mercado, o momento é de valorização das commodities em reais. No acumulado de 12 meses, os preços recebidos por produtores gaúchos registram alta de 30,28%, a maior desde 2012, aponta o levantamento mensal da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) da inflação do agronegócio. Puxados pelo câmbio, e com reflexos da estiagem, grãos como soja alcançam cotações históricas.

– O preço está superelevado. Mas não podemos esquecer que é reflexo de taxa de câmbio, que traz o efeito das incertezas. Os valores internacionais são baixos – pontua Danielle Guimarães, economista da Farsul.

É neste contexto global que a entidade vê com alerta o registro de alta nos custos de produção, ainda que seja bem inferior ao da valorização. No período de 12 meses, o aumento é de 2,24%. No momento, o que tem segurado arrancada maior, observa a economista, é o petróleo – o preço do barril é menos da metade do início do ano:

– Se houver recuperação do preço do barril, potencializará a taxa de câmbio, ampliando custos.

Boa parte dos insumos é importada, o que faz do dólar fator importante para os gastos.

Falta pouco para o término da colheita da safra de verão no Rio Grande do Sul. Segundo a Emater, na soja o percentual é de 97% da área total. A cultura contabiliza 9.808 vistorias de Proagro, seguro para as perdas. Somadas solicitações de outros produtos, incluindo hortigranjeiros, esse número sobe para 17.099 vistorias, contabilizadas desde 1º de dezembro de 2019.

80,6% o percentual de soja da safra 2019/20 já comercializada no país, segundo a Consultoria DATAGRO. Foram 97,72 milhões de toneladas vendidas, superando o percentual de 2016, de 67,7%, e também a média histórica, de 60,1%. A venda antecipada da safra 2020/2021 também avançou, chegando a 28,2% da produção.

Fonte: Zero Hora

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