CAMPO E LAVOURA – Do milho à China, o que explica valor histórico do trigo no Brasil

Alçada a um patamar recorde no Brasil, a cotação do trigo deve seguir nesse ritmo pelo menos até a entrada da segunda safra de milho. Isso mesmo. No atual cenário, o grão vem mexendo com os preços do cereal. No Rio Grande do Sul, a tonelada chegou nesta semana ao maior valor nominal em 17 anos, conforme a série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). No Rio Grande do Sul, onde é calculada com Senar-RS, fechou ontem em R$ 1.544,49. No calendário, esse é o período da entressafra, em que a menor oferta ajuda a sustentar cotações maiores.

A amplitude desse salto, no entanto, vem de outros "empurrõezinhos". E é aí que o milho entra na jogada. Além da disponibilidade ajustada, a escalada de preço fez as indústrias de proteína animal, por exemplo, buscarem alternativas à ração animal. E o trigo tem aparecido como uma delas dentro e fora do país.

– A China está usando 20 milhões de toneladas a mais para ração – pontua Élcio Bento, consultor da Safras & Mercado, sobre um dos fatores que tem impactado a cotação.

Com câmbio e produção, o fator entra na formação de preço do trigo. No caso do Brasil, o dólar acima de R$ 5 é outro dado que tem contribuído para a valorização. Soma-se a isso a incerteza sobre o comportamento do clima sobre a produção dos Estados Unidos.

O resultado é esse cenário de alta sustentada nos preços em reais. Que tende a ficar diferente apenas a partir da safrinha de milho e da colheita de trigo, no Hemisfério Norte e no Brasil. Ainda assim, sem espaço para reduções bruscas, avalia Bento:

– A tendência é de preços firmes mesmo na safra.

Tendo o cereal como matéria-prima, a indústria classifica o momento como nebuloso, de pouca visibilidade do que está um pouco à frente. Rogério Tondo, presidente do Sinditrigo-RS, explica que as atenções se voltam para a entrada da safra no Hemisfério Norte – leia-se Estados Unidos e Rússia. Por ora, argumenta, fica difícil projetar como estarão os valores do trigo no horizonte de 60 dias.

– A expectativa é de que no segundo semestre se entre em um período de maior produção e com outro quadro da pandemia, que encareceu frete.

Com a demanda por alimentos enfraquecida, o repasse dos custos em alta fica limitado, acrescenta Tondo. Teria de ser em torno de 20% para fazer frente às despesas, mas fica em torno de 6%.

Registros online de piranhas no Jacuí

O Ibama abriu um canal online para que possam ser feitos registros do aparecimento de piranhas vermelhas nas águas do Rio Jacuí. O órgão coordena a frente técnica que busca identificar locais de aparecimento da espécie Serrasalmus maculatus. Os relatos até agora conhecidos indicam a presença em área de 150 quilômetros entre Cachoeira do Sul e General Câmara.

As ocorrências podem ser encaminhadas pelo link no endereço gzh.rs/regpi.

Também chamada de palometa, a piranha vermelha é nativa da bacia do Uruguai.

Em General Câmara, tem causado prejuízos à pesca. Everson Flores, presidente da colônia de pescadores de Santo Amaro, diz que a atividade poderá ficar inviável se as piranhas continuarem se proliferando. A prefeitura tenta viabilizar auxílio financeiro.

2% a 6% é a estimativa de crescimento para o volume exportado de tabaco em 2021, na comparação com as 514 mil toneladas do ano passado. É o que indica pesquisa encomendada pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco). Em receita, o aumento previsto é de 6,1% a 10% em relação a 2020, quando os embarques somaram US$ 1,638 bilhão.

À mexicana

A confirmação de que o México abrirá uma cota de 75 mil toneladas para arroz brasileiro isento de tarifa é considerada promissora. O volume é mais do que o dobro do estabelecido para 2020 (30 mil toneladas). Havia uma sinalização desde o final do ano passado, mas o documento oficial foi agora recebido pelo Ministério da Agricultura e a informação, repassada ao Instituto Rio Grandense de Arroz (Irga).

– Com a boa colheita, a produção total será um pouco acima da safra anterior, mantendo o abastecimento, viabilizando a exportação e regulando o mercado – pontua João Batista Camargo Gomes, diretor comercial do Irga.

A nova cota alimenta a expectativa do setor de ganhar mais espaço nesse relevante mercado, que importa cerca de 80% do arroz que consome.

– A exportação é um investimento que o produtor tem de fazer para diminuir a oferta no mercado interno e, consequentemente, valorizar o produto – observa Alexandre Velho, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz).

A abertura do mercado era negociada há anos e veio oficialmente em 2019.

parte de ação nacional de combate à fome, a CEASa fará amanhã doações a famílias da Ilha do Pavão e da vila Dona Teodora, no bairro Humaitá, em porto alegre. a campanha é desenvolvida pela Associação Brasileira das Centrais de Abastecimento, que disponibilizou R$ 10 mil para cada filiada adquirir cestas básicas. Na capital, serão cerca de 500 cestas, que incluem alimentos da campanha de arrecadação realizada pela Ceasa.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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