CAMPO E LAVOURA – Diferencial no milho

A medida que permitirá adiar o pagamento do ICMS do milho trazido de países do Mercosul não elimina a crise do setor de proteína animal do Estado, mas ajuda a dar fôlego. Sobretudo para manter o volume de produção e evitar novos reajustes de carne e leite. O benefício do diferimento, como é chamado, foi confirmado ontem, com a assinatura do governador Eduardo Leite de decreto, e é válido até o dia 31 de dezembro deste ano. Nesse período, a alíquota de 12% passa a ser cobrada na venda do produto, e não na entrada do grão. O recurso é considerado importante no momento em que o custo de produção se mantém em alta, puxado sobretudo pelos ingredientes da ração animal, como milho e farelo de soja. No acumulado de 12 meses, a alta das despesas é de 39,78% no frango e de 44,55% no suínos, conforme dados de abril da Embrapa.

– Vem para amenizar custos, dar condições das empresas trazerem milho e, assim, evitar uma redução maior de produção – avalia José Eduardo dos Santos, presidente-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).

No caso das aves, já houve redução de 11,5% nos abates em abril. Há diminuição também nos alojamentos de animais, com impactos para produtores, dentro do sistema de integração.

Santos afirma que já há movimentação de indústrias do Rio Grande do Sul interessadas em importar o grão, que deverá vir principalmente do Paraguai e da Argentina. A busca pelo produto de outros países (os do Mercosul têm a tarifa externa comum zerada) reflete a pouca disponibilidade do grão no mercado brasileiro – e mais ainda no gaúcho. Sem ser autossuficiente na produção do grão, o Estado teve o abastecimento complicado por duas safras seguidas com perdas. O déficit – e a necessidade de compra externa – fica ampliado.

Há ainda outras ações, solicitadas na esfera federal, que buscam equilibrar as despesas do setor. O pedido de diferimento foi apresentado em audiência com o chefe da Casa Civil, Artur Lemos, articulada por Elton Weber, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, e Frederico Antunes, líder do governo.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte ; Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *