CAMPO E LAVOURA – Depois da soja, trigo pode ganhar mais espaço na metade sul do RS

Parte do crescimento de área esperado para o trigo na safra deste inverno no Rio Grande do Sul pode vir da Metade Sul. Consolidada como nova fronteira agrícola da soja, a região também mira o cereal que reina na estação do frio. Há um cenário que favorece a aposta na cultura em todos os recantos do Estado. Capitalizado pelos resultados de verão, o produtor terá condições de investir em tecnologia, para obter produtividades altas. Com o produto também valorizado, isso representa mais uma oportunidade de renda.

– Hoje há a retomada econômica do trigo. E se tem um bom indicativo de que a Metade Sul tem potencial. É mais uma alternativa que surge – observa Alencar Rugeri, diretor-técnico da Emater.

O plantio começou de forma lenta no último dia 11 em Ijuí, devendo ganhar ritmo no próximo mês. A alta procura por informações é vista como um indicativo de que o espaço dedicado à cultura irá crescer.

Coordenador da Comissão de Trigo da Farsul, Hamilton Jardim estima avanço entre 15% e 20% na área de regiões tradicionais de cultivo, com o RS somando mais de 1 milhão de hectares, algo que não ocorria desde 2014. Ele observa que a Metade Sul tem particularidades no plantio.

– O produtor que fizer trigo tem de olhá-lo dentro de um sistema, investir em semente de alta produtividade, boa adubação, controle de pragas, de doenças – reforça.

A necessidade de gestão, profissionalismo e planejamento é reforçada pelo diretor-técnico da Emater.

– É uma cultura para profissional. Assim como o milho, o trigo é muito responsivo às tecnologias.

Na propriedade dos Pletsch, em Rio Pardo, esta será a segunda safra de trigo – a área foi adquirida há dois anos. E terá espaço maior, passando de um terço à metade dos 150 hectares com lavoura – outros 150 hectares são de pecuária. Mais quente e úmida do que o Norte, a região exige atenção redobrada no manejo de fungos.

– Nossa ideia é ter um trigo com alto grau de investimento – conta o estudante de Agronomia Jerônimo Pletsch.

Com as melhorias feitas no solo, ele espera ampliar o rendimento do cereal, que no ano passado foi de 65 sacas por hectare (a média estadual ficou em 46,8 sacas por hectare).

O trigo na Metade Sul é tema de webinar da Biotrigo, gratuito, no próximo dia 27.

NO RADAR

A superintendência de portos do Rio Grande do Sul fez coro à solicitação nacional para que os trabalhadores portuários sejam incluídos na escala de prioridades para a vacinação contra a covid-19. O pedido foi feito ao ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, que o encaminhou para a pasta da Saúde. Agora, o assunto será avaliado dentro do Plano Nacional de Imunização.

***

A 21ª Fenarroz- multifeira internacional de tecnologia agrícola de Cachoeira do Sul tem nova data: 12 a 17 de outubro. o evento estava marcado para junho, mas, diante do quadro atual da pandemia, a comissão executiva decidiu pelo adiamento. Em razão das restrições de público dos protocolos, está em estudo um formato híbrido, com atividades presenciais e virtuais.

96%

é o percentual da área de soja colhida no Estado, aponta a Emater – avanço de apenas dois pontos percentuais na última semana. Outros 4% dos mais de 6 milhões de hectares cultivados estão na fase de maturação. Em algumas regiões, produtores que já concluíram os trabalhos realizam agora amostragem do solo para correção da acidez e planejamento da fertilidade para a próxima safra.

Marcas do tempo

Ingrediente de um dos mais tradicionais pratos da culinária brasileira, o feijão está em plena colheita da segunda safra no Rio Grande do Sul, chegando a cerca de metade da área cultivada. Na região que se destaca na produção desse ciclo, Frederico Westphalen, o tempo desidratou o rendimento. A falta de chuva em abril e a geada em maio reduziram em 16,6% a produtividade, para 1,5 mil quilos por hectare (ainda assim, superior à média do Estado).

Luciano Schwertz, gerente da regional da Emater de Frederico Westphalen, conta que a geada no dia 13 de maio impactou a área ainda não colhida – cerca de 20% dos 8,8 mil hectares cultivados. Houve relatos nos municípios de Chapada (foto acima), São José das Missões, Nonoai, Boa Vista das Missões e Ronda Alta.

No Estado, Elder Dal Prá, coordenador das áreas de Defesa Sanitária Vegetal e Cultura da Emater, explica que a chuva irregular foi o principal fator para perda de produtividade em algumas regiões, dependendo do estágio de desenvolvimento:

– A partir do florescimento há, normalmente, maior necessidade de água. E, quando não temos precipitação regular nesse período, perde-se produtividade.

A produção no Estado é estimada em 31,55 mil toneladas, 19,8% a mais do que a segunda safra de 2020, encolhida pela estiagem. Com consumo maior do que a oferta, o mercado gaúcho absorve praticamente todo o volume. A menor oferta na primeira safra e o aumento da demanda na pandemia levaram à valorização. A média da saca nesta semana, R$ 282,14, é 47% maior do que período do ano passado.

Para o consumidor, o quilo do feijão preto em abril foi, em média, R$7,96, segundo o Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (Iepe) da UFRGS. No mesmo período de 2020, era R$5,39.

Neste momento, o cenário é de estabilidade, diz Antônio Cesa Longo, presidente da Associação Gaúcha de Supermercados, com preços na faixa de R$ 5 a R$ 7, dependendo do tipo e da marca. A expectativa é de que fique assim com o término da colheita.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *