CAMPO E LAVOURA – Decisão abre espaço para milho dos EUA e pode atenuar custos da carne

Parte das medidas buscadas pelas indústrias de carne na tentativa de frear a alta dos custos, a autorização da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) sobre variedades transgênicas abre caminho para a entrada do milho americano. A norma, publicada no Diário Oficial da União, permite que uma carga tenha mais de um tipo de organismo geneticamente modificado, desde que todas sejam já aprovadas no Brasil e em outros países. Na prática, dá segurança legal pra trazer o grão dos Estados Unidos. Até então, não se permitia a mistura de variedades diferentes, cada uma tinha de ser checada.

– A autorização, que vínhamos pedindo desde o ano passado, é um avanço, sim. É um primeiro passo. Se é viável do ponto de vista econômico, terá de ser avaliado – observa José Eduardo dos Santos, presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).

Diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do RES (Sips), Rogério Kerber concorda: preço, cotação do dólar, logística, tudo isso precisa ser levado em consideração. Dado da Cogo Inteligência em Agronegócio mostra que, neste momento, a saca de 60 quilos de milho tem no produto americano a maior cotação: R$ 110,42. O produto brasileiro fica em R$ 93,27 (interior de SP) e o argentino, em R$ 88,82.

Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) avalia que o grão dos EUA entra como alternativa. Com mais players na jogada, a expectativa é de que se estabeleça algum tipo de teto para o valor do grão – que, em 12 meses acumula variação de 102,6% no mercado interno brasileiro, aponta a Asgav. Ingrediente da ração animal, tem impactado fortemente sobre os custos de produção da carne. Dados da Embrapa mostram que, em 12 meses, o aumento nas despesas soma 45,05% no frango e de 47,25% no suíno. E qual o alcance dessa medida no curto prazo e sobre os preços ao consumidor?

– Se espera que o custo comece a baixar até o final do ano. E depois, se estabilize. Mas o preço ainda não "terminou" de subir. O frango produzido com custo alto não vai para prateleira na mesma hora, são 45 dias do animal comendo ração – explica Santin.

Apesar da alta no país de 14,69% no frango em pedaços no país -, ainda há 30 pontos percentuais de diferença em relação ao aumento do custo, pontua o dirigente.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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