CAMPO E LAVOURA de 02 DE MAIO DE 2020

Para alimentar a alma

Duramente impactado pelas restrições trazidas pela covid-19, o setor de flores tenta ganhar um pouco de fôlego em uma de suas datas mais representativas: o Dia das Mães. Ao longo da semana, a Associação Rio-Grandense de Floricultura (Aflori) entregou ao governador Eduardo Leite o modelo adotado por São Paulo. Assim como Minas Gerais, permitiu o retorno das atividades de floriculturas e gardens a partir do último dia 30, desde que respeitados os cuidados devidos para prevenção da transmissão do coronavírus. O entendimento foi de que o setor faz parte das atividades agropecuárias, consideradas essenciais.

Em outra ação, articulada pelo Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), foi feita solicitação ao Ministério da Agricultura para a reabertura, em caráter excepcional, no período que antecede o Dia das Mães. Como resposta, a pasta sinalizou, por meio de nota, que fará a recomendação para que a medida seja adotada nas próximas duas semanas.

No país, a estimativa é de que as vendas do setor tenham caído 80%. No Estado, segundo Valdecir Ferreira, o maior impacto foi nas chamadas plantas de corte, com tombo que supera o percentual nacional em razão da suspensão de eventos. Muitos produtores estão migrando para hortigranjeiros por “questão de sobrevivência”. Nas plantas de jardim, o recuo é menor, variando entre 40% e 60%. As perdas se concentram em negócios destinados a restaurantes e indústrias.

– A flor é um alimento para a alma. Estamos lutando para manter a atividade – afirma o presidente da Aflori.

 

Reunião da Expointer na terça

A comissão executiva da Expointer tem reunião marcada para a próxima terça-feira. A Secretaria da Agricultura tem reforçado que não trabalha com a hipótese de a feira não ser realizada. A exposição está marcada para o período de 29 de agosto a 6 de setembro. A situação da covid-19, no entanto, vem sendo monitorada. Eventualmente, poderia ter de ser realizada em outra data.

No encontro, deverão ser construídas propostas com diferentes cenários. Esse planejamento para situações diferentes será encaminhado para avaliação da Secretaria de Saúde. Por isso, é provável que não se tenha ainda decisão sobre data da feira.

Em países vizinhos, houve decisões diferentes. A feira de Palermo, que ocorre em Buenos Aires, mudou o período de realização para 7 a 18 de outubro. Já a de Prado, em Montevidéu mantém a programação original, de 9 a 20 de setembro.

Produtores buscam segurança

Com propriedade a menos de 50 quilômetros do Uruguai, Eduardo Eichenberg avalia que o Estado preciso ter cautela, até pela série de contrapartidas que exigem investimentos. Isso em meio a cenário de dificuldades financeiras dos cofres públicos e incertezas trazidas pela covid-19.

– Vamos mexer sem ter muito claro o que ganharemos em termos de remuneração de produto. Acredito que é um caminho sem volta, apesar de eu ser contrário. A decisão está tomada,tanto na esfera estadual quanto federal. Produtores seguirão trabalhando na sanidade de rebanho. O que se espera é que o governo cumpra o combinado. Para não perder tudo o que foi conquistado – acrescenta o diretor da Estância do Silêncio e vice-presidente da Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB).

Projeto tenta blindar Fronteira para o fim da vacinação

O aval do Ministério da Agricultura para a suspensão da vacina contra a febre aftosa era a senha de que o Estado precisava para dar continuidade ao processo de progressão de status sanitário. Ainda não é a garantia de que ocorrerá. Há um caminho a ser trilhado até a linha de chegada, que fica na sede da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), em Paris. A prova será de fôlego: só termina em maio de 2021, na assembleia anual da instituição, quando ocorre a certificação de status sanitário.

Para chegar até a França, é preciso passar por etapas eliminatórias. A primeira está prevista para agosto, quando o ministério vistoria o cumprimento de ajustes solicitados em auditoria.

São apontamentos como o de reforço de pessoal e de veículos. Esses pontos imprescindíveis estão no centro das preocupações dos pecuaristas. Outra questão sensível e que está na lista do ministério é a fronteira seca do Rio Grande do Sul com Argentina e Uruguai – dois países que imunizam o rebanho. Um projeto batizado de Sentinela deve atender à região, com a participação de outros órgãos, além de Secretaria e Ministério da Agricultura. Entram na lista Exército, Brigada Militar, Polícia Civil, Defesa Civil e até a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Um projeto-piloto seria realizado no início deste mês, mas foi adiado pela pandemia. Deve ser retomado assim que possível, em razão da nova vistoria do ministério.

– A ideia é montar pelo menos oito equipes, com pessoal da Agricultura e das forças policiais – explica Francisco Lopes, chefe da Divisão de Controle de Informações Sanitárias da secretaria.

Para um segundo momento, devem ser adquiridos drones para a Fronteira, acrescenta o secretário Covatti Filho. Presidente da Associação dos Fiscais Estaduais Agropecuários, Pablo Fagundes Ataíde diz que a fase atual “é muito mais técnica do que burocrática”:

– A gente entende que o reforço deveria ser nessa área.

Há contratações previstas para o setor administrativo. A secretaria argumenta que isso permitirá liberar para o campo técnicos hoje em outras funções.

 

Fonte: Zero Hora

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