CAMPO E LAVOURA de 01 DE MAIO DE 2020

Depois do aval, o que RS tem de fazer para retirar a vacina

Foi dado um passo à frente na busca do Rio Grande do Sul pela evolução do status sanitário em relação à febre aftosa. Com a autorização para suspender a imunização do rebanho, concedida ontem pelo Ministério da Agricultura, o Estado começa a ter mudanças práticas a partir de hoje. Não podem mais ser aplicadas e nem vendidas doses da vacina. Eventuais estoques terão de ser lacrados, e trocas com os laboratórios precisam ser acompanhadas pela Secretaria da Agricultura. Também passa a haver restrição na movimentação de animais. Bovinos e bubalinos de Estados que ainda vacinam não podem entrar, salvo exceção prevista.

– Essas instruções normativas publicadas pelo ministério estavam programadas. Fazem parte do rito do processo. Essa formalidade significa que se está avançando no processo de retirada da vacina – pondera o secretário estadual de Agricultura, Covatti Filho.

E para confirmar esse caminho, abre-se agora o prazo para que o Estado faça as contrapartidas solicitadas em auditoria realizada no ano passado.

Entre esses pontos, estão reforço de pessoal e de veículos. O Piratini trabalha para contratação de 150 profissionais, terceirizados, e acréscimo de cem veículos para a área de Defesa Agropecuária. As medidas têm custo de cerca de R$ 11 milhões.

Segundo Covatti, o edital para licitação da compra dos veículos está pronto e deve ser publicado em até 15 dias. Serão 72 unidades – as demais serão adquiridas com recursos do governo federal. O edital de contratação ainda está tendo detalhes acertados.

– O orçamento para ambos está garantido.No ritmo que está, conseguiremos cumprir até agosto – projeta Covatti.

Para aquele mês está prevista nova avaliação dos técnicos do ministério. E, a partir dela, poderá ser mantida ou revogada a caminhada para o fim da vacinação. Aliás, o apoio de entidades produtivas está condicionado a essas melhorias, como decidido por Federação da Agricultura do Estado (Farsul) e Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac) (leia ao lado a posição de entidades).

O que vem agora

O Ministério da Agricultura comunica à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) que o RS, com o Paraná, deixará de vacinar, buscando evolução para zona livre da doença sem vacina

Até agosto, o Estado precisa atender recomendações feitas em auditoria do ministério. Dessa avaliação depende aval para dar prosseguimento ao processo

Se avançar, o RS poderá pedir na assembleia da OIE de maio de 2021 reconhecimento do status

Outra batida

A chegada do coronavírus acelerou um modelo de negócio que vinha ganhando espaço na pecuária: os leilões virtuais. E a avaliação do setor é de que a tendência veio para ficar. A Feira de Terneiros de Caçapava do Sul, na Região Central, ontem, ofertou 1.354 exemplares. Eles estavam no parque de exposições Eliseu Benfica. Os compradores, em casa. Essa opção também foi adotada em Alegrete, na Fronteira Oeste, para a venda de 2 mil terneiros.

Esse é um dos formatos possíveis. Em outro, os animais são filmados na propriedade para realização do remate online. Presidente do Sindicato de Leiloeiros Rurais do Estado (Sindiler), Enio Dias dos Santos conta que desde janeiro a entidade vinha trabalhando para viabilizar a modalidade em leilões de gado geral e terneiros. E a caminhada ganhou ritmo com o advento do coronavírus – até porque as regras estaduais trazem restrições à realização de feiras.

– É um caminho sem volta, uma questão de aprendizado, de adaptação – entende Santos, leiloeiro da feira de Caçapava.

A leitura é compartilhada por Gonçalo Silva, leiloeiro e diretor da Trajano Silva Remates. Ele acrescenta que o sucesso desse meio de vendas dependerá da credibilidade dos organizadores:

– A tecnologia veio para ficar, mas tem de saber usar.

Otimização da logística, riscos diluídos e redução de custos, que pode chegar a até 45%, são vantagens apontadas pelo diretor. Em contrapartida, será necessário fazer a lição de casa, com o produtor “levando a tecnologia para dentro da fazenda”.

– Existem individualidades e diversificação em cada município. Estamos aprendendo e trabalhando para diminuir dúvidas – complementa o presidente do Sindiler-RS.

Feira virtual, vendas reais da produção familiar

Lançada para facilitar o contato entre produtores familiares e consumidores em tempo de restrições por causa da pandemia, a Feira Virtual da Agricultura Familiar (Fevaf) contabiliza mais de 650 empreendimentos de agroindústrias, cooperativas e agricultores familiares do Rio Grande do Sul. O portal (gzh.rs/fevaf) foi viabilizado pela Emater. Em alguns casos, ajudou a ampliar em até 50% as vendas.

94,6% é o percentual de área colhida de arroz no Rio Grande do Sul, apontam dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). A produtividade média foi estimada nesta semana em 8.461 quilos por hectare, podendo ser revisada ainda. Isso porque as lavouras ainda por colher foram semeadas fora da época preferencial.

no radar

A colheita da soja no Rio Grande do Sul não teve avanço significativo na última semana. Segundo levantamento da Emater, chega a 94% da área cultivada. Em contrapartida, se aceleram os pedidos e reconhecimentos de situação de emergência em razão da estiagem. Segundo a Defesa Civil, são 357 solicitações, com 216 reconhecidos pela União e 241 homologados pelo Estado.

GISELE LOEBLEIN
Fonte: Zero Hora

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