CAMPO E LAVOURA – Da praça para as redes

Mobilizados pela prevenção e pela necessidade de garantia do abastecimento, agricultores familiares de Cachoeira do Sul, na região central do Estado, criaram novo canal de vendas da produção. A partir desta semana, começa a funcionar o Agricultura Familiar Delivery, ou seja, a telentrega dos itens antes adquiridos em feira realizada semanalmente na Praça José Bonifácio. A proposta já vinha sendo considerada como estratégia de negócio e acabou acelerada no atual cenário.

A feira faz parte das atividades de extensão rural do campus da Uergs localizado no município, por ora suspensas. É realizada em parceria com Sindicato dos Trabalhadores Rurais, prefeitura municipal e Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). A coordenação e a logística da entrega a domicílio está sendo feita pela professora e doutora em Desenvolvimento Rural Chaiane Leal Agne. Ela explica a razão para a iniciativa:

– Tem a questão de garantir o abastecimento e o fato de que são agricultores familiares, que precisam da renda para sobreviver. Mas também nos preocupa o fato de o nosso público, que é 70% de idosos, ficar correndo risco. É uma medida de proteção.

Ao todo, 25 produtores participarão do novo sistema de vendas. Na quarta-feira, um grupo fará a primeira entrega. São hortaliças, frutas, verduras, legumes e panificados. Informações sobre funcionamento e lista dos produtos serão divulgadas em grupo de WhatsApp e nas páginas do Facebook e do Instagram – .

– Cada agricultor fará a entrega em um único horário, uma vez por semana – explica Chaiane.

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cachoeira do Sul e produtor, Paulo Ricardo da Cunha Machado reforça a importância da continuidade da comercialização de alimentos. Mas acrescenta o significado principal:

– Atingir as pessoas na residência, sem que elas precisem ficar se deslocando.

65%

é a probabilidade, segundo o Inmet, da ocorrência de El Niño no outono que começou na última sexta. A chuva deve ficar entre a média e acima da média em boa parte do país.

No radar

Boletim de monitoramento da pandemia feito pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil mostra impactos ao agronegócio brasileiro. Entre as constatações: vendas de grãos, óleos e alimentos à China subiram 9,7% nos primeiros dois meses. E, apesar de as compras serem mantidas, o cancelamento de rotas marítimas provoca atrasos no transporte internacional.
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Fonte: Zero Hora