CAMPO E LAVOURA – Custos reduzem abates e podem trazer novos reajustes ao frango

Em linha com projeções do setor, o abate de carne de frango no Rio Grande do Sul encolheu 21,1% entre março e junho deste ano, aponta a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), com base na emissão de guias de trânsito animal emitidas. Em volume, isso representou 40 mil toneladas a menos entrando no mercado. O pé no freio do processamento foi a medida encontrada por empresas para tentar diluir gastos, sobretudo com a ração animal, ampliados por conta da valorização do milho.

– Se os custos continuarem engolindo o setor, certamente haverá novas reduções (na produção) – projeta José Eduardo dos Santos, presidente da Asgav.

Dado da Embrapa Aves e Suínos mostra que, em junho, a alta acumulada nas despesas em 12 meses chega a 52,3%. Em 2021, fica em 18,47%, com a nutrição respondendo por 75% da composição dos custos. Ainda em fevereiro, diante das cotações em ascensão do milho, a Asgav chamava a atenção para a possibilidade de haver recuo de até 30% no volume de frango processado no Estado. Entre março e junho, o número de abates passou de 80,1 milhões para 63,1 milhões de aves – o que representa 17 milhões de animais a menos.

Com uma oferta menor e outros fatores pesando no desembolso (a pandemia e a crise hídrica acabaram tendo impacto sobre outros itens como embalagens, transportes e energia elétrica), não está descartada a possibilidade de novos reajustes no preço do frango ao consumidor. Com um histórico de produção em larga escala e acessível à população, a carne de frango tinha uma espécie de "teto" para aumentos que poderá, segundo a Asgav vir a ser rompido. Reajustes na faixa de 25% a 30% não estão descartados.

Em junho, o valor do frango, conforme dados do Iepe/UFRGS, era 9,9% superior ao de março – a comparação da coluna é com o mesmo intervalo em que a redução de abates foi detectada.

Na comparação do primeiro semestre deste ano com igual período de 2020, as 380 milhões de cabeças abatidas representam queda de 5,5%.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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