CAMPO E LAVOURA – Crise de custos leva a oferta menor e preço maior de proteína animal

Reflexos já verificados na oferta e no preço da carne tendem a se intensificar nos próximos meses. A projeção parte da indústria e tem como base o quadro de custos inflados por itens como ração animal, onde entram milho e farelo de soja (que compõem 70% das despesas). "O consequente e inevitável repasse ao consumidor já está nas gôndolas, mas em patamares que ainda não alcançam os níveis de custos", alerta, em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A entidade acrescenta que os valores maiores de frango, suíno e ovo ainda não refletem o encarecimento das despesas na plenitude – porque foram produzidos com grãos comprados em 2020, quando as cotações eram menores.

"Por isso, novas elevações de preços deverão alcançar a população brasileira nos próximos meses, em um momento crítico para a renda e para a segurança alimentar", completa o documento.

Presidente da ABPA, Ricardo Santin afirma que novo reajuste "é inexorável". Assim como a redução da oferta. No ano passado, as proteínas tiveram alta na disponibilidade no mercado interno: 5,5% no suínos, 6,5% no frango e 9,1% no ovo. Cenário que não deve se repetir agora.

– Com essa situação do milho, algumas empresas estão diminuindo a produção e outras não executando ampliações – pondera Santin.

Números já evidenciam o encolhimento da produção de frango no Rio Grande do Sul. Conforme a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), o recuo é de 11% na comparação de abril com março, com base na emissão de guias de trânsito animal. Deixou-se de abater perto de 10 milhões de animais.

As empresas buscam medidas que possam ampliar a disponibilidade de milho. No Estado, o diferimento de ICMS para milho de países do Mercosul só depende da publicação de decreto, esperado para esta semana. A sinalização de que será concedido foi dada na pela Casa Civil na sexta-feira.

– O Estado não abre mão de receita, mas possibilita um respiro ao setor, especialmente para as empresas menores, que não exportam e não podem usar o drawback – reforça o presidente da ABPA, em referência à ferramenta que permite a suspensão ou isenção de tributos de insumos importados e ou nacionais vinculados a produto nacional que será exportado.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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