CAMPO E LAVOURA | Cresce pressão por mudanças em autarquia do Estado

Desejo antigo do setor, a reestruturação do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), autarquia ligada à Secretaria da Agricultura, entra amanhã na pauta de reunião convocada pelo conselho deliberativo, composto por 76 produtores. Dois pontos são considerados cruciais: acesso integral aos recursos provenientes da taxa de Cooperação e Defesa da Orizicultura (CDO) e valorização dos servidores do quadro. O assunto vem sendo debatido em um grupo de trabalho da pasta desde o ano passado e uma primeira proposta será apresentada.

Depois, a ideia é conversar com representantes dos servidores, diz o secretário Covatti Filho. A previsão é de que isso ocorra na próxima semana. O passo seguinte será encaminhar o processo para a Secretaria de Planejamento.

Uma das sugestões seria a criação de um fundo para que os recursos da taxa CDO possam ser integralmente revertidos aos instituto. A cada saca de arroz negociada, incide cobrança de R$ 0,67. O tributo é descontado dos produtores e recolhido pelas indústrias de beneficiamento.

No ano passado, a arrecadação somou R$ 95,04 milhões. Dessa quantia, R$ 55 milhões foram repassados ao Irga. O restante foi para o caixa único.

– O grupo entendeu que essa seria uma alternativa. O fundo não pode ser contingenciado – afirma Covatti Filho, ressaltando que o processo está em aberto, sem definições.

Para alterar a remuneração, há sugestão da ferramenta de meritocracia. Hoje, segundo o Sindicato dos Servidores do Irga (Sindsirga), um servidor com nível superior tem salário bruto de R$ 4,3 mil. O presidente da entidade, Gilberto Silveira, cobra participação da categoria no debate da reestruturação:

– Há seis anos que esse problema não é resolvido. É ruim para instituição, para o setor. Há um descontentamento

A baixa remuneração frente ao mercado tem feito com que muitos sejam cooptados por empresas privadas.

– O instituto construiu com seus pesquisadores toda a base genética de alta produtividade. Estamos entregando esses profissionais com toda bagagem para outros utilizarem – lamenta Ivo Lessa, conselheiro de Guaíba.

Sindicato e conselheiros enviaram documentos em que reforçam a necessidade ajustar a instituição à realidade atual e aos recursos que dispõe.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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