CAMPO E LAVOURA – Crédito para novo plantio exige mudança de regra

No quesito receptividade, a reunião virtual para tratar de ações que ajudem a minimizar os efeitos da estiagem no Rio Grande do Sul não deixou a desejar. Representantes de entidades do Estado detalharam à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, quatro medidas que constam em documento contendo ainda solicitações para o governo estadual. Como de praxe, ela ouviu com atenção as solicitações e se solidarizou com os produtores gaúchos. No entanto, aquele que é visto como o mais necessário entre os pedidos, a criação de linha de crédito de custeio emergencial para o milho, é também, o mais difícil de ser concretizado.

Agricultores querem ter a chance de um novo plantio na área em que tiveram perdas. O problema está no acesso ao financiamento: as regras impedem uma segunda tomada de crédito oficial (e Proagro) em uma mesma safra.

– O mais complicado é isso, por causa da normativa do Banco Central. Pedimos um levantamento preciso das perdas, para que se possa mensurar quanto de dinheiro isso impactaria, para ir com esse dado – explica Fernando Schwanke, secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura.

Outro obstáculo a ser vencido é o pouco tempo para a mudança. O calendário de plantio de milho vai até o começo de janeiro e, o da soja, até 20 de dezembro.

– Esperamos respostas, e rápido. Senão, não conseguimos plantar novamente – salienta Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS).

Prejuízos no milho trazem dupla preocupação: pelo impacto econômico de quem plantou, mas não colheu, e pelo efeito sobre a produção de leite e proteína animal, em razão de nova perda de silagem, usada na alimentação dos animais.

– O dano no milho é irreversível. Temos de agilizar a liberação de áreas no caso do Proagro. Daí, o produtor fica livre para plantar – observa Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias (Fecoagro-RS).

Esse é outro dos pedidos listados no documento assinado por Fetag, Farsul, Fecoagro, Emater e Famurs: agilidade na emissão do relatório que comprova os danos para fins de Proagro/Seguro Agrícola, sem o qual o local onde foi cultivada a lavoura não é liberado.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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