CAMPO E LAVOURA | Como o RS se prepara caso nuvem de gafanhotos chegue

Monitoramento feito por técnicos brasileiros e argentinos indica que a nuvem de gafanhotos registrada no país vizinho havia começado a se deslocar sentido norte-sul, na rota do Uruguai, em razão do vento. Como a previsão é de virada no tempo, com chuva e queda de temperatura, a expectativa se volta para como ficará o comportamento depois disso.

Uma das medidas preparadas pelo Ministério da Agricultura, caso chegue ao Brasil, é de estado de emergência fitossanitária. A condição foi decretada em alguns Estados do Brasil em 2014, quando outra praga, a lagarta Helicoverpa armigera destruiu plantações em todo o país. Com isso, foram autorizadas ações específicas e temporárias.

Jairo Carbonari, chefe da Divisão de Defesa Agropecuária da superintendência do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul, explica que a emergência fitossanitária torna mais ágil a implementação e estabelece formas de controle, atuação e produtos a serem usados.

– Vamos ficar de olho na nuvem. Se necessário, imediatamente o ministério publica a portaria. São todas ações controladas oficialmente, ainda que a aplicação possa vir a ser feita por produtores – reforça.

A utilização só ocorrerá se necessária. Há grande chance de dissipação da nuvem de gafanhotos por conta das condições climáticas do Estado, que também deverá trazer chuva e temperaturas mais baixas. De toda forma, equipes do ministério e da Secretaria da Agricultura estão em alerta nas áreas de fronteira com Argentina e Uruguai – onde inclusive há unidades do órgão federal.

– O pessoal está mobilizado – assegura Carbonari.

O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) se colocou à disposição para auxiliar no controle da praga, se necessário. A frota gaúcha é de 426 aeronaves. Aliás, a origem do setor tem relação com outro episódio registrado no Rio Grande do Sul (leia mais na página ao lado).

Bayer anuncia acordo bilionário

Um acordo anunciado ontem pela alemã Bayer tenta colocar um ponto final em batalhas judiciais travadas contra a empresa nos Estados Unidos por conta do Roundup, herbicida à base de glifosato. Os pagamentos somarão mais de US$ 10 bilhões e deverão encerrar, segundo a companhia, aproximadamente 75% dos atuais processos – são cerca de 125 mil ações ajuizadas e pendentes de ajuizamento.

Presidente da multinacional, Werner Baumann afirmou que essa "é a decisão correta" para "encerrar longo período de incerteza". O acerto ainda cria um mecanismo para gerenciar riscos de litígios futuros.

"É financeiramente razoável quando comparado aos significativos riscos financeiros de reclamações contínuas demoradas e aos impactos relacionados à nossa reputação e aos nossos negócios", observou, em comunicado. E acrescentou que as discussões sobre a segurança do produto retornarão "para o terreno regulatório e o âmbito da ciência".

Os processos são um passivo herdado da americana Monsanto, que desenvolveu o Roundup e foi adquirida pela Bayer, em negócio concluído em 2018.

A empresa alemã pondera que os acordos "não contêm nenhum reconhecimento de responsabilidade ou falta".

no radar

A inspetoria de defesa agropecuária da Serra, que estava fechada em razão de caso de covid-19 de servidor, foi reaberta ontem. A unidade passou por higienização na terça-feira. Esse foi o segundo diagnóstico positivo na pasta – o primeiro havia sido em São Sepé. Testes repassados pela Saúde serão aplicados a partir de demanda mapeada pelo Departamento de Defesa e pelo Administrativo.

R$ 17,1 milhões devem ser aplicados pelo Ministério da Agricultura para financiar propostas do Programa de Residência Profissional Agrícola, por período de dois anos. O objetivo é selecionar projetos para a qualificação técnica de estudantes e de recém formados em cursos de Ciências Agrárias e afins, de nível médio e superior. As propostas podem ser enviadas de 29 deste mês a 17 de agosto. Mais informações no e-mail programa.residencia@agricultura.gov.br.

Os preços da carne

A presença do churrasco na mesa dos gaúchos em meio à pandemia tem ajudado a sustentar os preços da carne. Levantamento feito pelo Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro) da UFRGS mostra a valorização dos cortes de costela e alcatra. Na comparação entre o final de março e a metade de junho, ambos acumulam altas de 36,36% e de 8,81% (veja acima). E aponta evolução do preço médio do boi gordo no Estado – verificada também no país.

A explicação tem diferentes ingredientes. As exportações, que em 2019 embalaram recordes e marcaram virada, depois de anos de desvalorização da pecuária, seguem firmes, ajudando na sustentação de preços.

– Estamos vivendo já o período de entressafra, no Rio Grande do Sul, e no resto do país, onde iniciou período mais seco – explica Júlio Barcellos, coordenador do Nespro.

No Estado, há outros fatores a serem considerados. A alta na costela, acrescenta o coordenador do Nespro, a alta na costela reflete o consumo – o corte apreciado para o churrasco não é tão caro quanto a picanha. Outra observação é a de que muitos consumidores têm optado pela compra em casas de carne, para evitar maiores aglomerações. Em relação às grandes redes, esses estabelecimentos têm menos espaço para negociar ofertas.

A tendência é de preços em alta até julho e posterior estabilidade, projeta Barcellos. Presidente da Comissão de Pecuária da Farsul, Pedro Piffero reforça:

– Se seguir a demanda da exportação e não entrar gado de outras regiões do Brasil, como agora, o preço tende a subir.

A ampliação da oferta para abate no Estado – e a redução de preços – costuma ocorrer a partir de setembro, quando são liberadas áreas de pastagens para a soja. Neste ano, a estiagem pode alterar esse cenário porque afetou pastagens e campo nativo. Piffero diz que há gado de campo nativo que precisou ser terminado em pastagens, em quantidade não conhecida. E que agora começa a ficar pronto.

Reunião para falar de Expointer

Está prevista para hoje, às 15h30min, reunião da Secretaria da Agricultura com as entidades organizadoras da Expointer. Segundo o secretário Covatti Filho, o encontro virtual contará com a participação de representante da pasta da Saúde.

A ideia é apresentar os pontos de atenção no parque Assis Brasil, em Esteio, onde a feira é realizada, e as recomendações prévias feitas para garantir a segurança em tempos de pandemia. O evento foi remarcado para o período de 26 de setembro a 4 de outubro, quase um mês depois da data originalmente prevista.

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora