CAMPO E LAVOURA – Como o novo calado do porto pode beneficiar o produtor

As novas medidas do calado no porto de Rio Grande não são a garantia, mas dão as condições para que o terminal gaúcho possa ser mais atrativo para o comprador e, também, para o produtor. A intenção é dar um alcance bem além dos 15 metros do calado – que inclusive superaram a estimativa inicial.

Outras propostas e resoluções se somam à homologação obtida ontem, em cerimônia com as participações do governador Eduardo Leite e do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. E tentam dar nova configuração ao porto.

– A modernização é para deixar os portos com mais eficiência, produtividade e competitividade. Para o agro, é a garantia de médio e longo prazo de infraestrutura de todos os seus modais de interesse – resume Fernando Estima, superintendente do porto. Confira ações realizadas ou em curso em Rio Grande.

1 CAPACIDADE MAIOR

O novo calado (e a profundidade das áreas interna e externa do canal de passagem) amplia em 10% o potencial de movimentação de carga em Rio Grande. Fazem isso ao permitir que navios maiores e também mais carregados transitem nas águas da estrutura gaúcha. Maior volume representa perspectiva de custo menor para os compradores externos e de maior rentabilidade ao produtor.

2 ESPAÇO DO ARROZ

A estrutura da extinta Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) foi licitada para a iniciativa privada e transformada no Terminal Logístico do Arroz (TLA). O espaço, destinado exclusivamente aos embarques do cereal, passa por modernização. A estimativa é de que, já na próxima safra, seja possível realizar embarques e também receber importações.

3 INVESTIMENTOS

Mudanças como a revisão dos poligonais se somam às novas medidas e viabilizam investimentos, como o da CCGL (leia mais ao lado). Na lista de apostas no porto gaúcho estão outros aportes importantes, como na área de fertilizantes.

A Yara está finalizando obra em que aplicou R$ 2 bilhões em seu complexo, o que aumentará a capacidade de produção e a de mistura. O superintendente do porto Fernando Estima acrescenta investimentos de Unifértil, Josapar e Timac Agro, que somam R$ 500 milhões.

4 HUB

Para Paulo Bertinetti, diretor-presidente do Terminal de Contêineres (Tecon), as ações conjuntas dão segurança para novos movimentos no porto:

– Rio Grande deu um passo gigantesco para enfrentar o futuro. Tenho certeza de que seremos um novo hub.

Grandezas multiplicadas

Entre os projetos que ganham corpo com as novas medidas do porto de Rio Grande (leia mais ao lado), está o investimento de R$ 700 milhões a ser feito pela Cooperativa Central Gaúcha (CCGL) no terminal de grãos Termasa, operado por ela. Com o aporte, a perspectiva é de ampliar a capacidade de embarque das atuais 1,5 mil toneladas por hora para 6 mil toneladas. O projeto será executado em módulos.

O primeiro, que deve levar um ano e meio, permitirá dobrar esse potencial. No total, serão três anos de obras. A estimativa é de que possam começar em 2021.

– A prioridade número um da CCGL é essa – diz Caio Vianna, diretor-presidente da CCGL.

Além da ampliação do calado, que permite carregar 10 mil toneladas a mais por navio, outra modificação, no regramento, é considerada fundamental para que o projeto saia do papel. Vianna explica que a revisão das poligonais portuárias viabiliza a realização de investimentos que antes não eram possíveis.

O aporte contempla ainda a renovação da malha ferroviária, praticamente duplicando o potencial de descarga em Rio Grande. E, na sede, em Cruz Alta, deve ter início a construção de empreendimento rodo-ferroviário em área de 92 hectares já adquirida e com aplicação de mais recursos. Sobre a relevância das ações de melhorias logísticas, desenvolvidas ou por desenvolver, o diretor-presidente da CCGL pondera:

– Baixa o custo dos transportes de grãos do Interior e, em Rio Grande, pela capacidade de descarga dos navios. Empresas originadoras de soja se interessam mais pelo porto gaúcho.

O último investimento no píer, para que navios graneleiros atracassem, foi realizado no ano de 1992.

– O benefício será de manter o terceiro Estado maior produtor agrícola do país de grãos competitivo no mercado internacional, e o produtor recebendo preços melhores em razão de logística eficiente – reforçou Vianna.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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