CAMPO E LAVOURA – Como o agro avalia a retirada da proposta de reforma tributária

De maneira geral, entidades que representam o setor agropecuário do Rio Grande do Sul veem como positiva a retirada da proposta de reforma tributária por parte do Piratini. Entendem que, dessa forma, será possível discutir, de forma mais ampla, as modificações sugeridas. O "timing" é o principal argumentado utilizado para sustentar essa avaliação. A combinação dos efeitos da estiagem com os da pandemia torna o momento inoportuno para a alteração.

– É uma série de dificuldades que faz com que não tenhamos condições de absorver nenhum aumento de carga tributária neste momento. Sem período de transição, de ampla discussão. Quando entramos em contrariedade foi pensando no setor como um todo – pondera José Eduardo dos Santos, presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).

A entidade é uma das que assinaram documento, na última sexta-feira, reforçando posição contrária ao projeto. Há vários questionamentos, mas o cerne da discordância está na cesta básica, com o fim da desoneração dos produtos.

– Geraria aumento dos preços e resultaria em queda de consumo, enfraquecendo um setor que tem atividade importante, gerando muitos empregos e item essencial na mesa de todos- observa Ronei Lauxen, presidente do Sindicato das Indústrias de Carnes do Estado (Sicadergs).

Para a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS), a proposta trazia só aumento de impostos, sem mexer de fato na estrutura.

– Talvez seja a coisa mais acertada, retirar e discutir com a sociedade uma reforma diferente – diz Carlos Joel da Silva, presidente da entidade.

Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS) acrescenta:

– Não entendemos que esse projeto como está dê mais competitividade para o Rio Grande do Sul, principalmente o agro. Tem de haver ajustes.

A Federação da Agricultura do Estado (Farsul), que na semana passada sinalizou apoio à reforma, com condicionantes, faz uma leitura diferente: a manutenção das regras é o pior dos cenários.

– Continuamos brigando contra o aumento de carga tributária. Mas não somos favoráveis à continuidade do mesmo. Acho que se perdeu uma grande oportunidade – afirma Gedeão Pereira, presidente da entidade.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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