CAMPO E LAVOURA – Colheita menor na safrinha de milho alimenta cotações e custos

Aposta "caseira" para ampliação da oferta de milho no Brasil, a segunda safra, também chamada de safrinha, começa a perder volume à medida que o tempo seco avança sobre as regiões produtoras. O alerta trazido por esse cenário aparece na forma de preço, com o milho alcançando patamares na Bolsa de Chicago, nos Estados Unidos, que não eram vistos desde 2012.

– Em abril, as cotações de milho ganharam um pouco de fôlego com o clima mais frio no meio-oeste americano. No final do mês, o agravamento do quadro da safrinha deu um impulso ainda maior – pontua Adriano Gomes, analista de mercado da AgRural.

Apesar de terem recuado um pouco ontem, as cotações continuam valorizadas. E também ajudam a puxar para cima a quantia em reais – na última semana, o indicador Esalq/BM&FBovespa rompeu a barreira dos R$ 100, chegando ao maior valor real da série histórica do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

A expectativa era de que a entrada da safrinha pudesse amenizar a pressão existente no mercado interno brasileiro a partir do segundo semestre. Números, no entanto, apontam que a colheita virá abaixo do esperado. Na projeção mais recente, a AgRural, por exemplo, revisou para baixo a produção do Centro-Sul para 65 milhões de toneladas. Somadas safrinha, safra de verão e terceira safra, o Brasil deve chegar a 95,5 milhões de toneladas, a menor quantidade desde a safra 2017/2018.

– A colheita começa a ganhar ritmo em junho. Mas neste ano será diferente. Tem dois fatores: entrada mais tardia e inferior à estimativa inicial (da safra) – acrescenta Gomes.

É um complicador para indústrias que usam o grão na ração animal e esperavam um pouco de alívio com a entrada da nova safra. Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Ricardo Santin ressalta que o repasse ao consumidor não acompanha o ritmo da alta dos grãos – há praças em que o valor dobrou na comparação anual:

– Os índices que vemos agora são reflexos da utilização de insumos comprados há meses, em valores inferiores aos atuais. Por isso, é provável que novas altas alcancem as gôndolas nos próximos meses.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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