CAMPO E LAVOURA – Colheita de soja avança e fica a 20% do final

É na nova fronteira agrícola do grão, na Metade Sul, e na zona mais fria, nos Campos de Cima da Serra, que ainda há soja por colher no Rio Grande do Sul. Na média do Estado houve um avanço de 19 pontos percentuais em uma semana, com o total chegando a 80% da área semeada, aponta levantamento da Emater. Esse salto foi possível, observa Alencar Rugeri, diretor-técnico da instituição, pela combinação de tempo seco e ritmo acelerado das máquinas.

Faltando 20% da área, os resultados têm corroborado as projeções positivas para a safra – de volume total de 20,20 milhões de toneladas e produtividade estadual de 3.326 quilos por hectare (o que representa 55,43 sacas).

Na regional de Pelotas, à medida que as máquinas avançam (o percentual lá é de 61%) as produtividades vão crescendo na direção da maior safra da região. Isso faz com que filas de caminhões carregados se formem nas cerealistas.

Na área de Bagé, a colheita chega a 65%, com produtividades variadas, mas a maioria é de 50 sacas, aproximando-se da média estadual. Desempenho importante para a região, que tem clima, solo e condições diferentes dos polos mais antigos de produção.

Há pontos em que o ritmo da soja desacelerou um pouco para dar preferência à finalização da colheita do arroz, que chega a 94,85% no RS, segundo levantamento do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). E vai confirmando o maior rendimento da história: 8.870 quilos por hectare.

Incra tem novo superintendente no Estado

Com longa trajetória de atuação no setor agropecuário gaúcho, inclusive como secretário estadual, Gilmar Tietböhl (foto), 75 anos, foi nomeado para o cargo de superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Estado.

Natural de Porto Alegre, mas com família no Interior, Tietböhl foi servidor do Banco do Brasil por 29 anos. Depois, atuou junto à Federação da Agricultura do Estado (Farsul). Na Secretaria da Agricultura, atuou entre 2007 e 2010, neste último ano assumindo como titular. Em 2011 retornou ao Sistema Farsul, onde foi superintendente do Senar-RS até 2018.

Na próxima semana estará em Brasília. A titulação de terras de assentados da reforma agrária segue no radar das prioridades do Incra. O novo superintendente substitui Tarso Teixeira, que faleceu em janeiro.

NO RADAR

Para marcar o 1º de maio, no sábado, famílias assentadas da reforma agrária no Estado vão doar 55 toneladas de alimentos a moradores de periferias em Porto Alegre, Pelotas e Cruz Alta. Os produtos são de cooperativas e assentamentos gaúchos. Na Capital, serão distribuídas 40 toneladas. Nos outros dois municípios, 15 toneladas.

COM O RS PERTO DE RECEBER A CERTIFICAÇÃO DE ZONA LIVRE DE AFTOSA SEM VACINAÇÃO, A ASSOCIAÇÃO DOS FISCAIS AGROPECUÁRIOS DO ESTADO REFORÇA A NECESSIDADE DE CONCURSO NA SECRETARIA DA AGRICULTURA. DADOS DO DIEESE APONTAM REDUÇÃO DE 14,5% NO QUADRO (219 PESSOAS A MENOS) nos últimos seis anos. ALÉM DAS APOSENTADORIAS, HÁ SAÍDAS MOTIVADAS POR vagas com melhor remuneração.

Sede brasileira

Em meio às implicações da pandemia, o Brasil foi o país onde a sede por vinhos mais cresceu no ano passado. Dados divulgados pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) mostram que houve um salto no ranking dos maiores consumidores da bebida que tem na uva a matéria-prima. Com crescimento de 18,4%, passou da 17ª para a 13ª posição.

O consumo per capita também aumentou, de duas para 2,6 garrafas. Ainda assim, o espaço para avançar é grande – hoje, representa 2% do mercado mundial. Primeiro no ranking de consumo per capita, Portugal tem, por exemplo, 51,9 garrafas.

Para a presidente da OIV, a catarinense Regina Vanderlinde, vários fatores pesaram para o crescimento brasileiro. Um deles é a mudança de comportamento com a chegada da pandemia. As pessoas que consumiam mais bebidas em bares e restaurantes passaram a fazer isso em casa.

– E fora, o consumo maior era muito ligado à outras bebidas, como a cerveja. Em casa, houve uma ligação do vinho ao consumo familiar – compara.

Ela cita também outro movimento que facilitou esse consumo no lar: a articulação do setor para vender mais online, incluindo até pequenos produtores. A desvalorização do real frente ao dólar também favoreceu o produto nacional.

O percentual de avanço não deve se repetir, porque o mercado já se estabilizou, como apontam dados do primeiro trimestre. Manter os patamares alcançados será um grande negócio.

O efeito da pandemia sobre o consumo de vinho no Brasil é o oposto de outras partes do mundo. Países europeus, consumidores tradicionais, tiveram queda, caso da Espanha, que teve recuo de 6,8%. A França, o segundo maior consumidor mundial, ficou estável. A exceção foi a Itália que teve incremento de 8%, o segundo maior avanço depois do Brasil.

*Colaborou Babiana Mugnol

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *