CAMPO E LAVOURA – Chuva hidratou lavouras e fez soja recuar em Chicago

A melhora das condições climáticas na América do Sul acabou reidratando as expectativas de safra cheia de soja na região – incluindo o Brasil. E fez com que a cotação do grão recuasse na Bolsa de Chicago, depois de ter alcançado os maiores patamares desde 2014. Ontem, os contratos para março fecharam a US$ 13,6950 o bushel (medida equivalente a 27,21 quilos), queda de 1,17% sobre o dia anterior.

– A falta de chuva já tinha sido precificada. E agora está chovendo. Enquanto estiver assim, o mercado dará uma baixa. As projeções das consultorias apontam safra recorde no Brasil, e isso é baixista – pontua Carlos Cogo, consultor em agronegócios.

Um dos fatores que alimentou a elevação dos preços em dólares, entre o final do ano e a primeira quinzena de janeiro, foi a possibilidade de quebra de safra por conta do tempo seco. Contratos com vencimento em março (para utilizar a mesma referência de comparação) romperam a barreira dos US$ 14 e chegaram a US$ 14,3050 no último dia 14.

Também atribuindo ao efeito da melhora no clima o recuo de preços dos últimos dias, Luiz Fernando Gutierrez Roque, analista da Safras & Mercado, acrescenta:

– Chicago está corrigindo, estava valorizado demais. Agora, o mercado está voltando a um patamar mais real.

À época da alta outro fator que preocupava era a medida anunciada pelo governo argentino de proibir a exportação de milho. Os argentinos são os terceiros maiores exportadores mundiais do grão, e havia temor de que a ação fosse replicada para outros itens. Com a pressão interna, foi liberado volume diário de 30 mil toneladas.

Mas os analistas são unânimes em apontar para o clima como o fiel da balança no momento.

A previsão de chuva para os próximos dias mantém perspectiva de baixa nas cotações em dólares. A safra, no entanto, só estará garantida com a colheita. O que significa que nova temporada de tempo seco, sobretudo quando as lavouras estiverem em fase de enchimento de grão, poderá reverter a curva. Em reais, com a variação cambial a ser considerada, a saca voltou ao patamar de R$ 160.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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