CAMPO E LAVOURA – Chuva ameniza, mas não elimina preocupação no RS

De maneira geral, a chuva dos últimos dias trouxe um pouco de alívio para produtores do Estado. Mas o grau e a duração dessa sensação variam em cada cultura e região, da mesma forma que o volume e a regularidade das precipitações registradas. A previsão daqui para frente, sob influência do La Niña, é de novembro e dezembro com tempo seco. E isso mantém a preocupação com nova estiagem.

– Há uma deficiência hídrica expressiva. Para que se tenha condição de umidade, são necessários grandes volumes – pondera Alencar Rugeri, diretor técnico da Emater.

Ao consultar colegas de diferentes regiões, o diretor técnico recebeu como resposta quantidades que iam de 10 a 140 milímetros. A distribuição irregular também aparece no radar dos meteorologistas Jossana Cera, consultora do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), e Flávio Varone, da Secretaria da Agricultura.

– No Norte choveu menos, na Campanha e na Fronteira Oeste a chuva foi mais abrangente. Dá uma ajeitada, uma umidade para o pessoal trabalhar um pouco mais – observa Varone.

Nas pastagens destinadas à alimentação do gado, as precipitações dos últimos dias ajudaram a atenuar o estresse hídrico, afirma Rugeri.

No milho, o aspecto das lavouras também teve melhora, avalia Ricardo Meneghetti, presidente da Apromilho-RS. A cultura, no entanto, tem perdas consolidadas nas lavouras que estavam em florescimento. Da mesma forma, áreas afetadas anteriormente por geada.

– Todas têm perdas como essa desidratação. São maiores ou menores dependendo da fase em que estão – acrescenta Meneghetti.

Na soja, onde choveu pouco, por ora só é possível o trabalho de preparação para o plantio. E, no arroz, o que preocupa é a capacidade dos reservatórios de água – dentro da mesma região há reservatórios cheios e outros reduzidos.

– Novembro, que já normalmente tem médias baixas, deve ser um mês crítico. A tendência para os próximos meses é de chuvas mais espaçadas e irregulares – pontua Jossana.

Varone reforça que a perspectiva é de tempo mais seco, mas que pode haver mudanças. Ele lembra que, recentemente, em duas safras com cenário de La Niña, o efeito acabou não tendo a dimensão projetada.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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