CAMPO E LAVOURA – Chuva abaixo da média traz risco adicional ao trigo no RS

Para quem mora na Região Metropolitana ou em pontos da Metade Sul, o título acima provavelmente causará estranheza. Choveu tanto nesses locais, que fica difícil imaginar preocupação por conta da falta de umidade. Mas esse cenário existe e acende o alerta em áreas representativas do cultivo de trigo do Estado.

– Este foi um ano que teve estiagem, pandemia, geada e, agora, falta de chuva – observa Alencar Rugeri, diretor técnico da Emater.

E há ainda a previsão de La Niña no horizonte, com potencial efeito de redução das precipitações daqui para a frente. Neste momento, no entanto, a razão para a falta de chuva vem de outros fatores, como explica Flávio Varone, meteorologista da Secretaria da Agricultura:

– O grande vilão foi o ar quente vindo do Brasil Central, que predominou no norte do Estado. Mais ao sul houve um bloqueio atmosférico, concentrando a chuva na zona sul e metropolitana.

Com base na média observada pela secretaria, que considera os últimos 30 anos, é possível observar que o volume ficou aquém em boa parte do território gaúcho. Em Passo Fundo, por exemplo, os 98 milímetros representam metade do habitual para setembro. No mês inteiro, foram oito dias de chuva e cinco com volume superior a cinco milímetros.

Para fins de comparação, em Porto Alegre, no mesmo período, foram 225 mm, ante média de 148 mm. Foram 18 dias de chuva e 10 com chuva de 10 mm. Diferença significativa e que justifica a apreensão nos pontos de cultivo, principalmente de trigo, onde a escassez se repete. Produtores com sistema de irrigação já estão acionando os equipamentos em razão do estresse hídrico causado.

Levantamento mais recente da Emater aponta que a maior parte das lavouras do cereal estava na fase de enchimento de grão (58%) e de maturação (32%), com a colheita em 2% da área total estimada – nas próximas semanas, o trabalho deve ganhar ritmo acelerado.

– Terá algum reflexo. Se não for generalizado, será pontual ou regional – estima Rugeri.

A falta de umidade também acende o alerta nas lavouras de milho da safra de verão já implantadas – 60% do total estimado para a cultura. Vale lembrar que o grão é bem mais suscetível à falta de chuva, ainda que esteja no período inicial de desenvolvimento.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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