CAMPO E LAVOURA – Cheio de otimismo, 2021 também é perfeito para "quebrar" no agro?

Diante de um cenário de preços valorizados e relações de troca favoráveis como há muito não se via no agronegócio, e a projeção de um faturamento trilionário previsto para a produção agropecuária do país, a frase acima pode parecer estranha. Mas faz parte de um alerta feito em vídeo pelo economista Antônio da Luz. Conhecido por sua atuação à frente da área econômica da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), ele tomou a iniciativa de produzir o conteúdo ao identificar casos de euforia para além do recomendado pela boa gestão. A ideia, explica, é poder compartilhar conhecimento, trazer uma reflexão para tentar evitar decisões equivocadas, com custos futuros à atividade.

– Os negócios não quebram nos anos ruins, mas nos bons – adverte Luz logo no início.

Apesar de parecer pessimista, a frase busca despertar agricultores e pecuaristas para a importância da gestão em um momento tão bom como o atual.

– E se é perfeito para quebrar, também é para se tornar inquebrável. É uma escolha gerencial. As decisões do ano bom vão guiar (o produtor) no ano ou nos anos ruins – pontua.

Todo e qualquer investimento deve ser feito de forma planejada. Também abrindo espaço para perspectivas de fortalecer o capital de giro próprio, o negócio, o caixa. Ao fazer isso, busca-se estar "preparado, organizado e fortalecido" para as próximas crises, recomenda o economista.

Em anos bons, como o de 2021, o produtor tem em mãos a possibilidade de fazer escolhas, algo que não é possível diante de adversidades, sejam climáticas, de crédito ou de mercado – inerentes aos riscos de uma atividade à céu aberto.

No caminho da gestão consciente, alguns itens podem ajudar os produtores, seja de qual tamanho forem. Pensar como foi a última crise e o que pode ser feito neste ano de perspectivas favoráveis para evitar que isso volte a ocorrer é um dos passos. Fazer investimentos observando a viabilidade econômica – e não só porque o vizinho está fazendo – é outro. Recomendação que vale também para decidir por ampliar ou não a área cultivada.

– Guarde as escolhas que temos neste ano para usar naqueles momentos de maior dificuldade – pondera Luz.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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