CAMPO E LAVOURA – Chance de crescimento no agro perdida para a estiagem

No ano em que os principais produtos agropecuários registraram patamares históricos de preços em reais, o Rio Grande do Sul ficou com um gosto de "quero mais". A estiagem do verão passado tornou limitado o alcance dos produtores gaúchos a essa valorização. Com colheita reduzida, em quase 40% só na soja, nos dados do IBGE, não foi possível fazer da lavoura a salvação do PIB em 2020. Nem o do setor nem o da economia do Estado como um todo, fragilizada pelo coronovírus, a exemplo do que ocorreu no país e no mundo.

– A grande maioria da safra foi vendida bem aquém dos preços mais altos – acrescentou Gedeão Pereira, presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) no balanço anual (leia mais na página 12).

Na matemática do faturamento, em que é preciso combinar o quanto se vende e a que preço, pontua o economista-chefe do Sistema Farsul, Antônio da Luz, a quebra de safra fez a diferença no resultado final. A agropecuária gaúcha deve terminar 2020 retraída (em 27,9%), na contramão do setor no país, o único que deverá registrar crescimento.

O efeito é tão intenso que Luz entende que as perdas econômicas decorrentes da estiagem são maiores do que as de 2012 e 2005, anos em que houve quebras de safra no RS.

– Perdemos mais em 2020 por conta dos preços serem bem mais altos – reforça ele.

Para um Estado que tem recorrência de estiagem, a irrigação seria uma forma de reduzir os impactos. O percentual é irrisório diante da área cultivada, com pouco avanço desde a última seca – pulou de 100 mil para 220 mil hectares em área de sequeiro. A Farsul avalia que para mudar esse cenário, é preciso alterar a legislação ambiental.

O resultado negativo do ano não contamina as estimativas para 2021. E, ainda que variáveis importantes sigam indefinidas, caso do câmbio, e a sombra do La Niña esteja sobre o Estado, a projeção é de que a agropecuária possa se recuperar no próximo ano.

– Dentro das perspectivas de hoje, tudo indica que os preços agrícolas seguirão aquecidos em 2021 – afirma Pereira.

Aposta ancorada na manutenção da demanda global, de grãos e proteína animal. Sobretudo da China, que adiciona "uma Argentina por ano" na sociedade de consumo, compara o presidente da Farsul, em relação às cerca de 40 milhões de pessoas que anualmente passam a acessar o mercado de compras.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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