CAMPO E LAVOURA | Cenário faz Banrisul prorrogar data de financiamentos rurais

Em um quadro que já era de incerteza, por conta das perdas causadas pela estiagem na safra gaúcha de verão, o avanço da pandemia do coronavírus no país e no Estado trouxe preocupação adicional a produtores do Rio Grande do Sul. Medidas de repactuação, já necessárias, agora se tornaram ainda mais urgentes, visto que muitos financiamentos vencem no período de março a maio.

Nas rodas de negociações que vêm sendo conduzidas com técnicos de Brasília, começa a se cogitar a possibilidade de prorrogação de todos os vencimentos, por período a ser determinado, até haver definição sobre medidas de renegociação solicitadas em razão dos prejuízos nas lavouras. A proposta foi levantada em razão do fechamento das agências bancárias para público externo.

No Rio Grande do Sul, o Banrisul anunciou que irá postergar a data de pagamento das linhas de custeio e de investimento com recursos próprios da instituição – não contemplam as do BNDES – com vencimentos em março, abril e maio. O prazo agora é o dia 20 de julho, com a solicitação feita por aplicativo do banco até 30 de abril .

– Acompanhamos toda a relevância do agro para a economia do Estado. Neste momento de crise, temos certeza de que é o setor que vai ajudar na superação. E os agricultores já vinham sendo afetados pela estiagem – explica Robson Oliveira Santos, superintendente-executivo de crédito de agronegócio do Banrisul.

O objetivo é, segundo ele, dar tranquilidade agora para que, em julho, se possa olhar para as operações e, se necessário, aplicar as melhores medidas previstas no manual do crédito rural. O executivo reforça que a prorrogação não afeta os pedidos de seguro, entre os quais o Proagro, com força-tarefa para o assunto.

– Isso segue inalterado. Também já buscamos junto ao Banco Central flexibilidade em relação às regras de vistoria do Proagro, com várias sugestões – acrescenta Santos.

O Sicredi deve avaliar demandas de prorrogação do vencimento caso a caso, segundo a demanda de cada associado. O Banco do Brasil, que detém em torno de 60% da carteira de crédito rural no Estado, por ora anunciou reforço das linhas disponíveis. No total, são R$ 100 bilhões, dos quais R$ 25 bilhões para o agronegócio em todo o país.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN
Fonte: Zero Hora