CAMPO E LAVOURA | Cancelar a feira é preservar o patrimônio da Expointer

A difícil decisão de cancelar a Expointer de 2020, como antecipou a coluna, mostra a responsabilidade do setor diante do quadro imposto pela pandemia – no território gaúcho e no mundo afora. Não é ser contra a feira. Pelo contrário. É preservar o patrimônio que a exposição consolidou ao longo das suas 42 edições como mostra internacional, em uma história iniciada bem antes, no bairro Menino Deus, na Capital.

Em um ano tão complicado como este, o espaço do parque Assis Brasil, em Esteio, era visto por muitos como a chance de marcar uma virada do setor, deixando para trás os impactos significativos da estiagem. E dando ânimo para que os produtores pudessem seguir adiante. Reconhecer e premiar o que o campo produz de melhor para recuperar o fôlego.

Diante do grande número de perguntas sem respostas e sem garantia de que seria possível resguardar o público – que chega a um estádio de futebol cheio passando diariamente pela área de 141 hectares -, o desejo de virar a página deu lugar à preocupação. E a perspectiva de que, para ser realizada, a Expointer tivesse de abrir mão do que lhe é mais peculiar, a interação urbano e rural, também pesou.

A decisão pela suspensão em 2020 foi unânime. Entidades organizadoras, ao lado da Secretaria da Agricultura, manifestaram essa posição na reunião ontem à tarde (leia mais na página 9). Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Federação dos Trabalhadores na Agricultura do RS (Fetag-RS), Organização das Cooperativas (Ocerg/Sescoop-RS), Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos (Simers), Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça e prefeitura de Esteio, também sinalizaram a possibilidade de realização de julgamentos e provas de raças. Pelo menos 14 entidades demonstraram interesse em fazer o que consideram o fechamento do ciclo deste ano.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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