CAMPO E LAVOURA – CAMPO E LAVOURA

Anvisa autoriza utilização de estoque de herbicida proibido

Em vigor desde o mês passado, a regra que proíbe produção, importação, venda e uso do herbicida paraquate ganhou uma exceção. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) decidiu, após reunião da diretoria colegiada, ontem, dar prazo para uso do estoque remanescente do produto. O cronograma tem datas diferentes conforme a cultura e a região do país. No Rio Grande do Sul, a cultura com a maior janela é a da soja, com data final em 31 de maio de 2021.

O produto, utilizado no controle de ervas daninhas e também na dessecação, foi proibido após a realização da reavaliação toxicológica pela Anvisa, iniciada em 2008. Em 2017, foi definido o banimento e dado prazo até 22 de setembro de 2020 para a vigência.

No centro do debate estão os riscos associados ao uso do agrotóxico, por quem o manuseia, de Mal de Parkinson e mutagenicidade. Em meio à janela de transição, novos estudos contestando essa tese surgiram e levaram entidades a pedir, no ano passado, a revisão da proibição de uso.

Com o advento da pandemia, a sequência do novo estudo ficou comprometida, o que motivou requisição de mais um ano para a "reavaliação da reavaliação". Mas a Anvisa, manteve o veto ao herbicida.

– Havia uma expectativa muito forte de que a resolução não fosse mantida, em razão dos novos estudos, da Nova Zelândia e dos Estados Unidos. E houve a compra do produto. Foi solicitado, então o escalonamento para uso do estoque – explica Domingos Velho, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) e a Crop Life integram grupo criado para tratar do paraquate. Presidente da Aprosoja-RS, Décio Teixeira afirma que não existe substituto à altura, na relação custo-benefício, ao herbicida.

Chefe da Divisão de Insumos e Serviços Agropecuários da Secretaria da Agricultura do Estado, Rafael Friedrich de Lima diz que produtos já apreendidos em fiscalizações deverão ser desinterditados, com a nova orientação. Ele alerta, no entanto, que todas as etapas de uso, da prescrição têm de ser observadas:

– Se houver abusos ou tentativa de fazer estoque, a fiscalização entrará em ação.

Primeira queda de receita do ano

Na safra de balanços que se renovam mensalmente, os embarques de carnes seguem com demanda aquecida. Na carne bovina, as exportações cresceram 2% em volume em setembro, comparadas a igual mês de 2019. Em receita, no entanto, houve queda – pela primeira vez no ano, também de 2%, segundo divulgação da Abrafrigo a partir de dados no Ministério da Economia.

No acumulado do ano, as 1,46 milhões de toneladas representam avanço de 10%. Em faturamento, a alta é maior: 20%, com US$ 6,1 bilhões.

Nas vendas externas de frango, o Brasil soma, de janeiro a setembro, 3,18 milhões de toneladas, 1,3% a mais do que em 2019, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Em contrapartida foram US$ 4,62 bilhões, 12,1% a menos em receita.

no radar

A posição de presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) está oficialmente aberta. Foi publicada no Diário Oficial a exoneração de Guinter Frantz, que se despediu da autarquia na semana passada, após cinco anos e nove meses no cargo, para se dedicar a projetos pessoais. Interinamente, a função será exercida pelo diretor administrativo, João Alberto Antônio.

Reforço à vista

Os números confirmam o que os relatos de produtores evidenciam: a qualidade da energia que chega ao meio rural ainda é um grande obstáculo para o desenvolvimento do setor, sobretudo em pequenas propriedades. Das 506 mil propriedades eletrificadas, apenas 37% têm redes trifásicas, o que na prática se converte em situações como a de queda de luz quando um simples chuveiro é ligado na casa de um produtor de leite.

O programa Energia Forte no Campo, criado ontem por decreto do governo do Estado, tenta mudar esse cenário, reduzindo o gargalo por meio da liberação de crédito, feita em parceria com cooperativas do Estado.

– Somente na área de uma cooperativa de eletrificação, já existem mais de cem aviários aguardando – afirmou Artur Lemos, secretário de Meio Ambiente e Infraestrutura.

Serão R$ 20 milhões aportados no projeto, na soma das cifras entre BRDE (R$ 11 milhões), R$ 4 milhões do governo do Estado, R$ 3 milhões de cooperativas e R$ 2 milhões de prefeituras. O presidente do BRDE, Luiz Noronha, explicou que são pelo menos 6 linhas de crédito para o programa, quatro com recursos de instituições internacionais e duas nacionais (próprios e do BNDES):

– Existirão opções.

Erineo Hennemann, presidente da Federação das Cooperativas de Energia,Telefonia e Desenvolvimento Rural (Fecoergs), que atuam em 390 municípios, reforçou que "existe uma demanda represada muito grande" e que a transformação da energia monofásica em trifásica "potencializará o agro":

– Cada vez mais o setor precisa de energia de qualidade.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *