CAMPO E LAVOURA – CAMPO E LAVOURA

Mudanças aproximam Farsul do apoio à reforma tributária

Modificações feitas no texto da reforma tributária proposta pelo governo do Estado fizeram a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) mudar o tom em relação ao projeto. De contrariedade, passando pelo entendimento e devendo chegar ao apoio. Condição a ser confirmada, mas já sinalizada diante da perspectiva de ajuste no ponto relacionado ao Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos (ITCD).

– Se houver mudança, apoiaremos. Fomos a primeira federação a contestar e colocamos os dois pontos principais. Fomos atendidos parcialmente. A posição é de entendimento – pontua Gedeão Pereira, presidente da Farsul.

As questões a que se refere são relacionadas ao custo de insumos agrícolas e ao aumento da alíquota do ITCD.

Na primeira ideia apresentada, o Estado previa a contribuição de 10% no diferimento hoje concedido a insumos para o Fundo Devolve-ICMS. No texto apresentado à Assembleia, o governo retirou alguns itens da lista dessa modificação, mas manteve para outros.

Classificada pelo setor como taxa à produção e com um aumento estimado em R$ 1 bilhão sobre custos de produção já no primeiro ano, a Farsul e outras 13 entidades assinaram uma carta aberta pedindo votos contrários à proposta.

As negociações permaneceram e, nesta semana, o Piratini sinalizou com a retirada desse trecho, o que leva a Farsul a mudar o tom do discurso.

Falta a questão do ITCD, com previsão de novas faixas de cobrança, de 3% a 6% para 8%, também alvo de debates e de solicitações por mudanças.

Sem equacionar esse ponto e com a manutenção do fim da desoneração dos alimentos, outras entidades do setor se mantêm contrárias ao texto. É o caso da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS), que não abre mão dessas modificações.

– Não é uma reforma. É aumento de imposto. Não existe uma mudança de estrutura. Para nós, ainda está longe de chegar ao apoio – pontua Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS.

Nota conjunta deve ser divulgada hoje pelas entidades do segmentos que mantêm posição desfavorável ao projeto para reforma tributária apresentado pelo governo.

Mistério multiplicado no Estado

Com duas amostras já encaminhadas e outras três coletadas, o Rio Grande do Sul está na rota de recebimento de envelopes misteriosos, contendo sementes enviadas de forma espontânea. As entregas foram nos municípios de Lajeado, Novo Hamburgo (já enviadas para análise) e Rio Grande, Carazinho e Campina das Misssões (coletadas ontem) pela Secretaria da Agricultura, que envia a laboratório do Ministério da Agricultura.

Conforme Jairo Carbonari, chefe do Departamento de Defesa Agropecuária da superintendência regional do ministério, a análise serve para a identificação da espécie e para que seja feita "uma varredura de todos os tipos de organismos que podem estar presentes".

Segundo a pasta há ainda amostras sob análise coletadas em Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Goiás.

– É importante que a pessoa que recebeu não abra nem manuseie o material e faça contato – reforça Carbonari.

A comunicação em caso de recebimento deve ser feita nas inspetorias veterinárias ou em escritórios da Emater.

No olho da fumaça

Piloto profissional da aviação agrícola há 14 anos, o porto-alegrense Camilo de Freitas Flores divide a rotina de trabalho em dois momentos. No período de safra, faz a pulverização aérea de lavouras. Na entressafra, é contratado por empresa especializada no combate de incêndios em áreas atingidas por queimadas, como o Pantanal. Ele esteve durante 15 dias na operação que tenta conter as chamas no bioma. O trabalho pesado exige o revezamento e o prazo de permanência limitado.

Camilo esteve em Porto Jofre, no município de Poconé, Mato Grosso. E conta um pouco da rotina no local:

– Nunca tinha visto nada nessas proporções.

Abaixo, alguns trechos dos relatos feitos à coluna.

Rotina

O limite diário é de 9 horas de voo. O trabalho é em equipe: pilotos resfriam as áreas para que a equipe em terra, incluindo Bombeiros, possa chegar ao foco.

– Na primeira luz do dia, já nos colocamos à disposição de quem estiver no controle da situação e ficamos no aguardo – conta Camilo de Freitas Flores, 39 anos.

A aeronave

Conforme o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), as aeronaves são do mesmo tipo que realiza a pulverização agrícola. Com algumas diferenças. Há exigência de capacidade mínima de armazenamento. E a comporta existente na "barriga" do aparelho por vezes é substituída por uma hidráulica, que permite regular essa abertura.

– A aeronave vai carregada de água, de 2 mil a 3 mil litros, varia muito de acordo com o tipo de vegetação e de lançamento necessário – explica o piloto.

Visibilidade/temperatura

O trabalho no ar é feito com temperaturas em torno de 43ºC – no foco, na linha de combate, os termômetros vão bem além. A fumaça também dificulta a visibilidade.

– Chegamos a ficar dois dias seguidos sem voar – conta.

Dentro da fumaça

A abrangência da área atingida pelo fogo e a fumaça pelo caminho impressionaram o piloto gaúcho:

– Nunca tinha visto nada nessas proporções. É um cenário de guerra.

No período em que esteve no Pantanal, o piloto precisou fazer uma viagem, para a manutenção da aeronave, até Primavera do Leste. Conta que andou, durante 1h10min, "dentro da fumaça".

Vencedores do agro

A premiação da 8ª edição do Vencedores do Agronegócio e da 4ª edição do Elas no Agro, da Federasul, ocorrerá neste ano em formato digital. Os escolhidos receberão o troféu Três Porteiras no dia 30 de setembro no encontro virtual do Tá na Mesa. Abaixo os homenageados.

Os eleitos

Antes da Porteira: Simbiose, Cruz Alta, com o case "VirControl: Especificidade, eficiência e proteção"

Dentro da Porteira: Languiru, Teutônia, com o case "Leite Languiru Origem"

Depois da Porteira: Sicredi Alto Uruguai, Rodeio Bonito, com o case "Desenvolvimento do agronegócio por meio do programa Propriedade Sustentável"

Sustentabilidade: Afubra, Santa Cruz do Sul com o case "Curso de Atualização a Distância – Curso de Educação Socioambiental Rural"

Elas no Agro: Neiva Ebrin, Horizontina, Mulher Determinada

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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