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A indústria de máquinas e o impacto da suspensão de feiras

Diante da pertinente recomendação de que se evitem aglomerações de pessoas, para frear o avanço do coronavírus no Brasil, o calendário do agronegócio sofre alterações importantes com suspensão ou adiamento de feiras. Hoje, organizadores da Agrishow, um dos principais eventos do país, marcado para 27 de abril a 1º de maio em Ribeirão Preto (SP), têm reunião para bater o martelo. Mas tudo se encaminha para que seja transferida. Em 2019, a tecnologia exposta no parque impulsionou negócios, que somaram R$ 2,9 bilhões.

– A feira é um instrumento para mostrar as máquinas. É provável que tenha impacto (no setor, caso seja adiada). Mas como é algo inusitado, não tem como prever – pondera Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), uma das organizadoras.

Se a opção for postergar a data, a Agrishow ampliará a lista de eventos com alteração no país. Muitos serão reacomodados no calendário. Outros deixarão de ser realizados. É o caso da Expoagro Afubra, voltada à agricultura familiar e que começaria amanhã em Rio Pardo, no Vale do Rio Pardo. A 20ª edição ficará para 2021.

Presidente do Sindicato da Indústria de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers), Claudio Bier entende que haverá impacto nos negócios por conta desse cenário. Ontem, a entidade realizou videoconferência para tratar do assunto. Por enquanto, fabricantes localizadas no Estado mantêm a produção.

– Essas feiras têm participação grande nas nossas vendas – afirma o dirigente.

No caso dos gaúchos, há ainda outro agravante: a estiagem compromete a capacidade de investimento de produtores. Outro fator que tem efeito na indústria. O alento vem de outras regiões do país, onde o tempo mantém as projeções de colheitas fartas.

Para compensar o verão

Afetados pela estiagem, com redução significativa no volume de milho silagem (20,7%, segundo dados da Emater), produtores de leite têm até hoje para manifestar interesse em acessar o programa que subsidia a compra de sementes forrageiras. A medida é uma das primeiras ações adotadas para reduzir os impactos da falta de chuva e fazia parte da primeira lista de reivindicações elaboradas ainda no mês de janeiro.

O programa, sob comando da Secretaria da Agricultura, teve aportes também da União, totalizando R$ 6,5 milhões. Neste momento, ainda não há definição sobre se os recursos extras servirão para ampliar o subsídio ou aumentar o número de agricultores beneficiados. Vai depender da demanda recebida. O pedido inicial era para que passasse de R$ 300 para R$ 500 por beneficiário.

– Com essa chuva, o produtor vai querer plantar. Aveia, azevém e outras forrageiras de inverno são as de maior demanda neste momento – explica Eugênio Zanetti, vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS).

Só a entidade havia cadastrado 8,3 mil agricultores até agora para participarem do programa, voltado à agricultura familiar. Assim como o milho silagem, forrageiras são usadas na alimentação animal. Interessados devem buscar informações na secretaria ou nos sindicatos de trabalhadores rurais.

Precaução como medida

Entidades do agronegócio têm adotando a precaução como forma de prevenir a disseminação do coronavírus. Ontem, a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) emitiu comunicado informando o cancelamento de cursos e concursos de jurados, além do treinamento de funcionários realizados em ambientes fechados. A partir da próxima segunda-feira, suspenderá eventos chancelados.

As medidas buscadas com a União para amenizar efeitos da estiagem no Rio Grande do Sul têm sido tratadas em reuniões virtuais. Técnicos de ministérios e órgão do governo federal têm se reunido com os de entidades gaúchas do setor produtivo por meio de videoconferências.

Outras ações

A Federação Brasileira dos Bancos anunciou que os cinco maiores bancos associados, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú Unibanco e Santander deverão prorrogar por 60 dias vencimentos de dívidas de pessoas físicas e micro e pequenas empresas. Isso inclui pequenos e médios produtores que tenham feito financiamento com recursos próprios do banco, que não dependam do Tesouro (leia mais na página 15).

A Cooperativa Dália Alimentos, com sede em Encantado, cancelou temporariamente, assembleias regionais que ocorreriam a partir de hoje em seis municípios.

NO RADAR

Sob o impacto da estiagem, o governo do Estado decidiu prorrogar os vencimentos de contratos vigentes dos fundos de Terras do Estado (Funterra) e do Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper). Nos dois casos, parcelas que venceriam de janeiro a maio são postergadas para 31 de maio.

R$ 683,2 bilhões é o valor bruto da produção agropecuária (VBP) brasileira estimado para 2020. Representa alta de 8,2% sobre 2019. Mas, os dados apresentados pelo Ministério da Agricultura têm como base projeções de fevereiro. Ou seja, ainda não refletem perdas da estiagem no Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor de grãos do país.

Abertura oficial da vacinação

O prazo para vacinação do rebanho de bovinos e bubalinos do Rio Grande do Sul contra febre aftosa já está aberto, seguindo até 14 de abril. Hoje, o governo do Estado realiza solenidade que marca oficialmente o início daquela que pode ser a última campanha de imunização. O governador Eduardo Leite participa do ato, que ocorre na propriedade de Selito Carboni,também secretário de Agricultura de Guaíba.

Para garantir a segurança em tempos de coronavírus, optou-se pela mudança do local inicialmente escolhido, já que havia idosos na família. Deverão ser vacinados 12,6 milhões de animais no Estado nesta etapa.

Depois da imunização, pecuaristas têm até o dia 22 de abril para comprovar, por meio de nota fiscal, a aplicação das doses. As inspetorias veterinárias e outras estruturas da Secretaria da Agricultura, por ora, seguem funcionando normalmente.

Com a antecipação do período de vacinação, o RS solicitará em maio a progressão de status.

gisele.loeblein@zerohora.com.br 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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