CAMPO E LAVOURA – CAMPO E LAVOURA

Deriva de 2,4-D já atinge 35 propriedades no Estado

A segunda leva de análises das suspeitas de deriva do herbicida 2,4-D no Rio Grande do Sul trouxe à tona mais casos do problema no Estado. De acordo com a Secretaria da Agricultura, até a primeira quinzena de novembro, há confirmação de deriva em 42 dos 57 laudos concluídos. Isso representa 73,68% do total das amostras. Na safra 2020/2021, 35 propriedades rurais já foram atingidas, repetindo uma situação detectada nos dois ciclos anteriores.

No ano passado, nesta mesma época, 100 das 108 amostras coletadas, ou 92,59%, tiveram resultado positivo, com impacto em 79 propriedades. Ainda assim, o chefe da Divisão de Insumos Agropecuários da secretaria, Rafael Friedrich de Lima, ressalta que é cedo para uma avaliação definitiva em relação à diminuição de incidência de casos.

– Percentualmente, o cenário de momento é melhor. Mas ainda há laudos a serem entregues. Por isso, é cedo para conclusões. O que podemos dizer é que o problema persiste – aponta Lima, lembrando que novembro costuma ser um mês ventoso e, portanto, poderá ser crucial para a detecção de novos casos decorrentes da má aplicação do agrotóxico.

Até 13 de novembro, a secretaria contabilizou 83 denúncias em relação a possíveis casos de deriva. Por dia, até quatro novos casos são relatados. O 2,4-D é utilizado em lavouras de soja para o combate da buva. Se a aplicação ocorre de maneira incorreta ou em condições climáticas inadequadas, resíduos podem ser levados pelo vento às lavouras vizinhas.

Até o momento, os casos positivos de deriva foram detectados em 15 municípios, em propriedades com uva, tabaco, oliveira, ameixa, pêssego, noz-pecã, alfafa e salsa. Folhas retorcidas estão entre os sintomas visuais do problema. Os vinhedos na Campanha, mais uma vez, estão entre as áreas mais prejudicadas. O cenário é de apreensão entre os vitivinicultores, constata Valter Pötter, presidente da Associação Vinhos da Campanha.

– A situação é insustentável. Para nós, a solução seria suspender o uso do 2,4-D -diz.

Presidente da Associação dos Produtores de Soja no Rio Grande do Sul (Aprosoja-RS), Décio Teixeira argumenta que produtores têm buscado alterativas de produtos e diz que, neste ano, a aplicação será menor em razão do tempo seco, que atrasou o avanço do plantio.

– Eu acredito teremos uma safra com menos problemas de deriva – alega.

Medidas de combate à estiagem

Entidades ligadas à produção agropecuária no Rio Grande do Sul formataram uma pauta única de reivindicações a ser encaminhada aos governos estadual e federal com o objetivo de atenuar efeitos da estiagem.

Fetag, Farsul, Fecoagro, Emater e Famurs listaram 10 medidas de combate ao problema, que no momento afeta principalmente lavouras de milho.

Entre os pedidos estão a criação de uma linha de crédito de custeio de milho emergencial, criação de um grupo de monitoramento dos impactos da estiagem no Estado e desoneração dos equipamentos de irrigação.

no radar

A partir de 1º de janeiro de 2021, o preço mínimo da uva industrial, destinada a sucos, vinhos e outros derivados, sobe para R$1,10 por quilo.

O reajuste vale para as regiões Sul, Sudeste e Nordeste até 31 de dezembro de 2021. O aumento é de R$ 0,02 em relação à safra passada.

Primavera rentável

Na carona do bom momento vivido pela pecuária no país, as raças angus e ultrablack movimentaram R$ 46 milhões em negócios nos remates de primavera deste ano. A cifra foi contabilizada pela Associação Brasileira de Angus, que pela primeira vez divulgou o volume de vendas total da temporada. O levantamento foi produzido com base nos resultados de 43 leilões em diversos Estados, incluindo o Rio Grande do Sul.

A média dos touros angus ficou em R$ 16.153,46 e a das fêmeas finalizou em R$ 9.931,20 nesta temporada. Já a média dos bovinos da raça ultrablack foi de R$ 13.798. Gerente de Fomento da Angus, Mateus Pivato diz que alguns criadores notaram incremento de até 35% nas médias em relação ao ano anterior. A valorização da cotação do boi gordo, puxada pelo incremento das exportações de carne bovina para a China, é um dos aspectos que impulsionou os negócios.

– Foi uma primavera bastante aquecida. Havia um temor pela questão da pandemia, veio o formato virtual dos leilões, mas deu tudo certo – avalia Pivato, destacando que os remates com transmissão por televisão e internet deverão ser mantidos nos próximos anos.

A temporada ficará marcada pelos recordes de preços. No leilão VPJ, em Jaguariúna (SP), um touro chegou a ser arrematado por R$ 734,4 mil, maior valor já atingido. Entre exemplares ultrablack, o destaque foi o negócio envolvendo o touro Tradição Azul 008 (foto), da Tradição Azul, de Quaraí, na Fronteira Oeste. O bovino teve 50% de sua cota negociada por R$ 40,5 mil.

FERNANDO SOARES – INTERINO

Fonte : Zero Hora

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