CAMPO E LAVOURA – CAMPO E LAVOURA

Falta garrafa nas vinícolas gaúchas

A dificuldade de abastecimento de matéria-prima chegou à indústria vitivinícola. As empresas da serra gaúcha voltadas à fabricação de suco de uva, vinho e espumante começaram a ter problemas para conseguir itens básicos para a produção, como garrafas de vidro. A situação é generalizada e já afeta o ritmo de produção em uma série de companhias, justamente em um ano marcado pela forte demanda por bebidas no mercado interno.

– O setor tem dificuldade com vasilhames. Empresas estão buscando fora do país, mas ainda assim não vão conseguir entregar pedidos até o final do ano. Também há problemas para conseguir cápsulas, rótulos, embalagens – relata Deunir Argenta, presidente da União Brasileira de Vitivinicultura (Uvibra).

A situação é mais crítica nas garrafas porque o fornecimento costuma ser realizado por uma única fábrica. Com a pandemia, essa unidade fechou temporariamente e, no retorno, viu a demanda saltar. Assim, há descompasso entre os pedidos das vinícolas e a capacidade de entrega do fornecedor.

Em meio a esse contexto, algumas das principais vinícolas do Estado têm de fazer pausas forçadas na produção. A falta de garrafas levou a Aurora, de Bento Gonçalves, a paralisar a linha de suco de uva por dois dias na semana passada e deixar de elaborar 300 mil litros.

A Garibaldi também interrompeu momentaneamente as atividades, há duas semanas. Presidente da cooperativa, Oscar Ló aponta que recentemente foram adquiridas cerca de 500 mil garrafas na Argentina. Mesmo assim, não será suficiente para suprir toda a demanda das linhas de sucos e espumantes.

– Não casou a entrega do produto (garrafas) com a programação de produção e tivemos de parar dois dias. Está prevista nova parada em seguida – diz Ló, destacando que cada dia parado são 150 mil litros a menos a serem envasados.

Na Nova Aliança, de Flores da Cunha, o panorama é semelhante. O presidente da cooperativa, Alceu Dalle Molle, ressalta que, caso houvesse matéria-prima disponível, a empresa poderia faturar até 10% a mais no final do ano. A fábrica deverá parar por uma semana no final de novembro, com impacto diário de 110 mil litros.

– Infelizmente, pelo que temos de informação, essa situação (da falta de garrafas) deverá seguir até o ano que vem – lamenta.

Além da escassez de insumos, os custos de produção estão subindo. No caso das garrafas importadas, pesa o dólar alto. Já nas embalagens, a diminuição da oferta encareceu o papelão em até 30%.

Com isso, a tendência é de que os preços das bebidas para o consumidor final aumentem, ao menos, 10% nos próximos meses.

Dois gaúchos estão entre os cinco finalistas do Prêmio Brasil Artesanal 2020 – Charcutaria, promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA): Bruno Gedoz, da Zampa Grigia, e Olivar Araldi, da Embutidos Araldi. A última etapa do concurso ocorre na quinta-feira.

Doação

Alimentos produzidos por agricultores familiares começaram a ser entregues em Caxias do Sul, em mais uma ação do Programa de Aquisição de Alimentos, na modalidade Compra com Doação Simultânea (PAA-CDS). Com apoio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), cerca de 60 toneladas de frutas e hortaliças produzidas por 39 agricultores serão distribuídos para 7,7 mil pessoas em risco alimentar e nutricional.

no radar

O Ministério da Agricultura realiza amanhã, das 15h às 17h30, o minicurso sobre Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Na capacitação, serão apresentadas as plataformas do Zarc para planejamento e gestão de riscos climáticos na produção agrícola. O curso é virtual, por meio da plataforma Teams, e pode ser acessado pelo link: tinyurl.com/capacitacaozarc.

Pêssego de Porto Alegre

Um dos principais símbolos da produção rural de Porto Alegre, o pêssego já começou a ser colhido nas propriedades da Zona Sul. A safra vai ser retirada dos pomares até janeiro de 2021 e deverá chegar a 160 toneladas na Capital, alta de 14% em relação ao ciclo passado. Atualmente, 16 famílias realizam o cultivo, em uma área que alcança 20 hectares.

Extensionista da Emater em Porto Alegre, Luís Paulo Vieira Ramos destaca que o incremento significa a recuperação da produção após uma safra marcada pela quebra na produtividade. Em 2019, o granizo afetou os pomares.

Neste ano, o clima não deve afetar o volume de produção, mas a escassez de chuva nas últimas semanas tem feito com que a maturação de algumas variedades atrase. Com o retorno da precipitação nos últimos dias, há expectativa de que a situação se normalize.

– A safra está muito boa, pois tivemos um inverno com bastante frio e dias de sol – avalia Ramos, mencionando que as condições foram propícias para o desenvolvimento da fruta.

A produção porto-alegrense é comercializada diretamente ao consumidor final. No momento, há pontos de vendas perto das propriedades nos bairros Vila Nova, Ipanema e Restinga. Além disso, a fruta é vendida em feira no Largo Glênio Peres, no Centro, de segunda-feira a sábado, das 9h às 18h. O preço do quilo custa em torno de R$ 8.

Ao longo das últimas décadas, a cultura vem perdendo espaço na Capital. Na década de 1980, Porto Alegre chegou a ter 600 hectares de pessegueiros, segundo a Emater. Nos anos 2010, a área plantada caiu a 60 hectares e seguiu encolhendo, até chegar aos 20 hectares atuais.

FERNANDO SOARES – INTERINO

Fonte : Zero Hora

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