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Trigo transgênico está na fase inicial

A decisão da Argentina de liberar a comercialização de trigo transgênico deu amplitude à primeira fase do debate sobre o tema no Brasil, na esfera da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). O primeiro o passo será este: avaliar se a tecnologia em questão pode ser considerada segura ou não ou ainda se precisa de mais pesquisas.

Os argumentos serão apresentados em audiência pública marcada para a próxima semana. A CTNBio informou à coluna que o evento busca "colher subsídios e dar oportunidade para que os diversos setores envolvidos se manifestem sobre o tema".

O órgão reforça que aspectos de conveniência, oportunidade socioeconômicas e interesse nacional são do escopo de análise do Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS).

Na prática, isso significa que há um longo caminho a ser percorrido antes de a transgenia no trigo eventualmente chegar ao circuito comercial brasileiro. O que inclui a importação do produto cultivado na Argentina. A TMG, empresa que no Brasil é parceira da argentina Bioceres no processo de regulamentação, estima que isso não ocorra antes de 2023 (leia ao lado).

E, a exemplo de outros transgênicos consolidados, como a soja, a liberação comercial não é sinônimo de venda imediata. A aprovação de clientes é fundamental. A terceira geração de soja transgênica, autorizada no Brasil, aguarda aval da União Europeia para entrar de fato no mercado.

De toda forma, a Indústria Brasileira do Trigo (Abitrigo)decidiu marcar posição, em nota, de contrariedade.

– Avaliamos que não deve prosperar. Hoje não existe comércio para esse trigo – reforça Diniz Furlan, presidente do Sinditrigo-RS.

Hora de conhecer os campeões

Serão divulgados hoje os vinhos premiados na Brazil Wine Challenge, avaliação realizada em Bento Gonçalves, na Serra. Foram 774 amostras inscritas, de 16 países. Ao longo de três dias, foram degustadas, às cegas, claro, por 57 avaliadores. O que já se sabe é que, no total, 21 rótulos conquistaram a grande medalha de ouro, 11 deles produzidos no Brasil.

alexandre garcia Doutor em Agronomia, gestor de pesquisa da TMG

"No Brasil, antes de 2023, não será comercial"

O processo para regular o trigo transgênico no Brasil é conduzido no Brasil pela Tropical Melhoramento Genético (TMG), parceira da argentina Bioceres, que desenvolveu a tecnologia, ao lado da francesa Florimond Desprez. A coluna conversou com Alexandre Garcia, gestor de pesquisa da TMG, sobre o tema. Confira trechos.

A liberação do trigo transgênico no Brasil é para breve?

O processo que está acontecendo agora no Brasil é puramente regulatório. A resposta a ser dada na audiência pública é se é seguro. Se sim, aí entrarão questões comerciais futuras. No Brasil, antes de 2023, não será comercial. A CTNBio tem várias regras. Avalia primeiro qual o gene inserido. Nesse caso, foi o de um girassol (HB4), que já está no consumo humano e foi transferido para o trigo. O que mais interessa ao consumidor são análises de equivalência nutricional. Há estudo para saber se é alergênico, é um protocolo extenso.

O que faz esse gene?

Oferece melhor resposta em situações de estresse hídrico e de solos salinos. Toda planta em situação de estresse entra em modo de sobrevivência, não mais de produção, digamos assim. Esse gene entende o contrário. Sabe que, mesmo em situações de estresse, pode continuar indo um pouco mais além. Então, os processos biológicos da planta não param. E ela mantém o rendimento superior. Não os mesmos da planta em situações normais, mas melhores do que os de uma que não tem (o gene). Em caso de estresse, vai dar 20%, 30% até 40% mais produtividade do que a planta convencional. Garante estabilidade de produção e aumento de produção em anos ruins ou em áreas marginais.

Uma das preocupações da indústria é não aceitação do produto para consumo. Como avaliam essa questão?

Hoje em dia, caiu muito o estigma de transgenia, pelo menos para a grande maioria da população. Acreditamos que o consumidor está muito mais preocupado com uma agricultura sustentável do que o produto ser transgênico ou não. Primeiro, porque passa por uma análise de segurança que nenhum outro alimento passa. E, basicamente, o transgênico está presente em 100% da alimentação. Se a gente pensar, do que é feito o pão? Farinha, água, óleo ou margarina e açúcar. O óleo e a margarina são transgênicos. Existe cana transgênica, então o açúcar pode ser também. E o trigo nisso não vai fazer diferença. Aí se fala do macarrão, que é só água e trigo. Mas e quem não põe óleo para cozinhar? É transgênico. Acaba fazendo o molho, põe amido de milho ali. É muito cotidiano. É só uma questão de que isso é seguro e já faz parte da nossa alimentação.

no radar

O tempo seco tem desacelerado o plantio da nova safra de verão no Estado. Mesmo assim, a área semeada de milho chega a 66%, seis pontos percentuais a mais do que na semana passada, aponta o levantamento da Emater. Na soja, soma 4% do total estimado para o novo ciclo, de mais de 6 milhões de hectares.

Safra de recordes na primavera

Como a temporada de remates de primavera ainda segue, é possível que novas marcas venham a ser atingidas. Depois de registros da coluna de uma fêmea e de um touro braford, outro exemplar da raça exibe valorização histórica.

A terneira Carcávio Grazi teve cota de 50% vendida por R$ 100 mil, para comprador do Paraná. Com isso, fica avaliado, no todo, em R$ 200 mil. O resultado foi no leilão da Estância Carcávio, de Santana do Livramento, que teve faturamento total 30% maior do que no ano passado.

Em relação à valorização das fêmeas, o leiloeiro Fábio Crespo entende que refletem a evolução da tecnologia, que permite maior número de descendentes. A terneira Grazi vinha sendo preparada para a Expointer.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora