CAMPO E LAVOURA | Bergamota fica mais cara

Uma das frutas-símbolo do inverno no Rio Grande do Sul, a bergamota começa a ser colhida no Estado em meio a um cenário de preocupação entre os citricultores. A estiagem comprometeu o desenvolvimento das variedades precoces, como a caí (foto), que é retirada dos pomares desde o final de abril, e está afetando as frutas mais tardias, casos da ponkan e da montenegrina.

Neste ano, a quebra pode chegar a um terço da safra. Inicialmente, a Emater estimava produção de 150 mil toneladas nos pomares gaúchos. Com perdas já consolidadas em diversas propriedades, a tendência é de que a colheita não passe das 100 mil toneladas.

Derli Bonine, assistente técnico da Emater no Vale do Caí, principal região produtora de bergamota no Estado, sinaliza que o problema pode ser ainda maior caso a falta de chuva persista nas próximas semanas. A menor disponibilidade de frutas deverá resultar em aumento dos preços para o consumidor.

– A bergamota vai ficar mais cara, ainda que, infelizmente, isso não reponha a perda do citricultor. O reajuste pode chegar a 100% nas variedades precoces. Se o produtor está recebendo R$ 2 pelo quilo hoje, o consumidor começará a pagar a partir de R$ 4 o quilo – explica Bonine.

Além da fruta de mesa, a oferta para fabricação de suco é impactada. Na Cooperativa dos Citricultores Ecológicos do Vale do Caí (Ecocitrus), os 120 produtores associados deverão perder metade da produção.

– Tínhamos a previsão de beneficiar 2 mil toneladas para suco. Hoje, não devemos conseguir chegar a 1 mil toneladas – lamenta Maique Kochenborger, presidente da Ecocitrus.

FERNANDO SOARES | INTERINO

Fonte: Zero Hora

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