CAMPO E LAVOURA | Auditoria concluída, é hora da espera

Com a avaliação de auditores do Ministério da Agricultura concluída ontem, a expectativa agora fica por conta do parecer, esperado para os próximos dias. É desse documento que poderá vir o endosso final para que o Rio Grande do Sul siga o processo de busca pelo status de zona livre de aftosa sem vacinação.

Técnicos da Secretaria da Agricultura e o titular da pasta, Covatti Filho, estão otimistas.

– Conseguimos sustentar as informações, apresentamos o que os auditores pediram. Agora estamos na expectativa do resultado – relata Rosane Collares, diretora do Departamento de Defesa Agropecuária da secretaria.

Como há prazos a serem cumpridos para a solicitação à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), certificadora do status sanitário, o relatório não deve demorar. O trabalho a ser feito pelo Estado, no entanto, segue. Principalmente se o ministério der sinal verde.

Dentro do plano que foi escrutinado pelos cinco auditores estão ações que ainda estão em andamento. Outro ponto importante será o diálogo com os produtores, para que se possa transmitir a segurança percebida pela área técnica. A adesão de quem tem o ônus do controle da doença sem a imunização é fundamental para que esse passo seja dado.

Entidades representativas voltarão a avaliar o tema depois que o relatório do Ministério da Agricultura sair.

Há dúvidas em relação ao tema que já estão sendo recebidas pela secretaria. Alguns dos questionamentos, como o do funcionamento do banco de vacinas, por exemplo, devem ser esclarecidos em reunião que ocorre hoje. O encontro será comandado por Geraldo de Moraes, diretor do Departamento de Saúde Animal do ministério.

Mesmo que o pedido do Estado para a retirada da vacina esteja na pauta do encontro, Covatti Filho entende ser pouco provável que haja uma sinalização do resultado da auditoria.

O Laboratório de Referência Enológica (Laren) retoma neste mês as atividades de análises de vinhos, uvas e derivados. referência no país, a unidade vinculada à Secretaria da Agricultura é credenciada pelo Ministério da Agricultura. a paralisação ocorreu após término de convênio do ibravin com o estado.

R$ 24,15 bilhões é o valor que foi contratado no primeiro mês de vigência do Plano Safra 2020/2021. A quantia, segundo a Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, representa alta de 50% sobre igual período do ciclo anterior. A expansão mais significativa foi no crédito para investimento, que somou R$ 5,2 bilhões, 110% a mais.

Sobre o nitrato de amônio

Apontado como causa da tragédia em Beirute, no Líbano, que deixou mais de cem mortos e milhares de feridos, o nitrato de amônio virou o assunto do dia. A Associação Nacional para Difusão do Adubo (Anda) emitiu nota na qual esclarece que os fertilizantes à base do composto "são, em condições normais, substâncias estáveis que por si próprias não apresentam risco e não são inflamáveis".

O produto é utilizado na produção em razão do alto teor de nitrogênio, nutriente essencial às plantas. No documento, a entidade acrescenta que podem se decompor "apenas se expostos a condições inadequadas de calor, contaminação ou confinamento".

No Brasil, a regulamentação das questões referentes ao composto é tarefa do Exército, com requisitos a serem cumpridos.

A nuvem que preocupa

Apesar da multiplicação de nuvens de gafanhotos nos céus da Argentina – ontem os focos de monitoramento seguiam sendo seis -, a maior preocupação para o Rio Grande do Sul em relação à praga está no futuro. É a possibilidade de novos agrupamentos, com a emergência dos filhos dos enxames atuais no momento em que o Estado já estiver com a produção de grãos de verão sendo cultivada. Situação que potencializa prejuízos.

O entomologista Jerson Guedes, coordenador do Laboratório de Manejo Integrado de Pragas da UFSM, explica que o ciclo de desenvolvimento da espécie, em número de dias, varia conforme a temperatura. Até chegar à fase adulta, leva cerca de 60 dias (20 na fase de ovo mais 40 na fase jovem).

– Do momento em que pousaram no local até 60 dias depois podem chegar à fase adulta em que voam. São os filhos desses locais de pouso e podem formar nuvens – explica.

Além do caminho percorrido, outro ponto de atenção é o centro de origem. As seis nuvens entre Salta, Chaco, Formosa e Santiago del Estero poderiam levar entre 30 e 40 dias para chegar ao Estado. Nos dois cenários, já haveria culturas de verão.

Juliano Ritter, agrônomo e fiscal estadual agropecuário que acompanha a movimentação de perto, na Fronteira Oeste, acrescenta outro risco:

– Seria a formação de uma nova nuvem próxima do Estado em época de calor, como outubro, quando há vento quente em todas as direções. Não é como agora, que só vem do norte.

Na Argentina, segundo informações do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa), os danos registrados na produção foram ocasionais em pastagens e outras culturas de inverno. Produtores relatam ainda alguns estragos em citros. Em janeiro, na entrada da primeira nuvem, houve perdas pontuais em milho, cana-de-açúcar e mandioca em Formosa.

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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