CAMPO E LAVOURA – Arroz tem menor cotação em 10 meses

Em meio ao primeiro ano da pandemia, o preço do arroz deu o que falar. A alta no item que entra na cesta básica dos brasileiros gerou inúmeros memes nas redes sociais e, apesar do assegurado abastecimento, fez com que o governo zerasse a tarifa de importação do produto. O objetivo era garantir que o cereal não iria faltar. Neste momento, com a safra recém-colhida disponível, o cenário é bem diferente. O valor pago ao produtor, conforme indicador do Cepea/Senar-RS, chegou ontem a R$ 76,18 a saca, recuo de 2,9% só em junho e o menor patamar nominal desde 17 agosto do ano passado. Nas gôndolas, a pesquisa mensal da cesta básica, feita pelo Dieese, ainda mostra leve alta em maio (0,57%), mas recuo de 0,93% no ano em Porto Alegre. Preços menores já são avistados no varejo.

O recuo nas cotações ao produtor vem ocorrendo desde 10 de maio, aponta o Cepea, e está associado à baixa demanda interna pelo produto, principalmente na "ponta final". Situação que reflete o contexto econômico no Brasil, com índice de desemprego elevado e poder de compra fragilizado. A análise acrescenta que, do lado da oferta, "muitos vendedores estão retraídos dos negócios, à espera de melhor remuneração".

Diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Arroz do RS (Sindarroz), Tiago Barata observa que não houve todo o incremento de consumo que se esperava. Houve uma alta na demanda até setembro do ano passado, com muita gente estocando o produto e passando a receber cestas básicas, explica. Depois, mudou o padrão. Com o pico de preço, as pessoas usaram as reservas que tinham ou buscaram alternativas. Compradores do mercado externo também foram se retirando.

– O mercado está em uma inércia, aguardando um fato novo – acrescenta Barata.

Outro fator que influencia o preço do arroz para o produtor é o ritmo fraco das exportações, que vem como reflexo da variação cambial. O dólar na casa dos R$ 5 deixa o produto brasileiro pouco competitivo no mercado internacional.

– A falta de exportação é o principal fator. Perdemos, no mínimo, três navios que deveríamos ter exportado (com arroz). E, com a produção maior, o mercado leu que não faltará produto – observa Alexandre Velho, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do RS (Federarroz).

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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