CAMPO E LAVOURA | Arroz, óleo e ovos: valorizados em 2020, como ficam neste ano

Em meio à pandemia, a alta de preços em produtos como ovos, arroz e óleo de soja se converteu em preocupação nacional. Com a colheita de grãos em andamento no Rio Grande do Sul, e a produção da proteína impactada por custos, a coluna quis saber quais as perspectivas de produção, oferta e valores neste momento para esses itens. Influenciados por variáveis que não podem ser controladas, vão da projeção de estabilidade à imprevisibilidade, mas dentro de novos patamares.

Depois de alcançar recordes, o arroz deve ter preços mais estáveis, pelo menos na entrada da nova safra, que se intensifica nas próximas duas semanas.

– É o momento de maior pressão (para baixo). Mas tendência é de estabilidade, com oscilações normais – avalia João Batista Camargo Gomes, diretor comercial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

Não se vê, no entanto, espaço para que se desçam o degrau alcançado em 2020, "até porque a questão do custo nem permite mais isso", reforça o dirigente.

Com área plantada levemente superior, o arroz deve ter uma produção normal, dando tranquilidade ao abastecimento.

A saca que chegou a históricos R$ 105,38 de média em outubro, segundo dados do Cepea/Senar-RS, tem ficado neste mês na casa de R$ 85, nível em torno do qual deve se acomodar. A título de comparação, em março de 2020, o valor era de R$ 49,81 – com boa parte da produção negociada nessa faixa.

No caso da soja, ingrediente da indústria de óleos vegetais, a perspectiva é de recuperação de oferta no Rio Grande do Sul, diante de uma safra "de normal a grande", observa Roges Pagnussat, presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Estado (Acergs). A capacidade de abastecer o mercado é retomada depois do recuo na produção de 2020.

Com procura em alta dentro e fora de casa, o grão deve manter a curva de valorização. Ontem, puxado pela variação cambial, teve disparada de preços.

– Com a demanda forte, o volume bom já exportado e o câmbio favorável, a indústria (doméstica, de processamento) acaba tendo de aumentar o patamar para conseguir reter o produto – observa Pagnussat.

Para o ovo, a mais acessível das proteínas animais, a projeção exige cautela. Em 2020, engatou uma alta de 54,6% no efeito imediato da pandemia, quando consumidores correram aos supermercados. Depois teve "sobe e desce", começando 2021 em baixa e agora voltando a se valorizar. A preocupação do setor vem da combinação de volatilidade do mercado com aumento de custos que já reduzem a produção de carne.

– O ovo é um produto que anda de mãos dadas com o frango. Tem uma margem histórica que consegue absorver de no máximo 15% – diz José Eduardo dos Santos, presidente-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura.

Energia na xícara

O gosto do brasileiro pelo tradicional cafezinho faz do país o segundo maior consumidor mundial, só atrás dos Estados Unidos. Igualmente expressivos são os números da produção e da exportação, que fazem do Brasil o líder mundial. E se, em 2020, a colheita maior ajudou a impulsionar o crescimento da agropecuária, neste ano as incertezas sobre a produção podem deixar a bebida um pouco mais amarga para o bolso.

Mas é só a partir do próximo mês, quando começa a colheita da variedade arábica, que o cenário deve ficar mais definido. Hoje, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) divulga os números consolidados de consumo e beneficiamento em 2020.

– A tendência no ponto de venda é estar mais caro. O quanto dependerá de muita coisa: da própria concorrência, das negociações que se tem com os supermercados, do quanto virá de colheita – pondera Celírio Inácio da Silva, diretor-executivo da Abic.

Há ainda o fator pandemia que, embora tenha levado a leve alta de consumo, não interferiu diretamente no preço, pondera Silva. Dados da entidade mostram que o consumo per capita do café torrado moído foi de 4,81 quilos em 2020 – e 4,76 quilos em 2019.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção deste ano poderá diminuir entre 21,4% e 30,5% sobre a safra anterior. A redução se deve às condições climáticas adversas que atingiram áreas de destaque na produção em 2020, principalmente a falta de chuva e as altas temperaturas. Soma-se a isso o fator da bienalidade negativa – em ano ímpar, por questões fisiológicas, o cafeeiro produz menos. O maior produtor é Minas Gerais. No RS, o clima é o principal empecilho ao cultivo.

NO RADAR

Com o título "Combustível a preço de ouro, onde vamos parar?" a Fetag-RS emitiu nota manifestando preocupação com o novo reajuste de combustíveis, o sexto da gasolina, que acumula alta de 54% na revenda, e o quinto do diesel, alta de 41,6%.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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