CAMPO E LAVOURA | Aporte de R$ 1,7 bi e 2,7 mil vagas no RS

Com unidades espalhadas pelo Brasil inteiro, a escolha do Rio Grande do Sul para receber um investimento mais substancial, de R$ 1,7 bilhão da JBS, não foi fruto do acaso. Com presença consolidada no Estado, atuando em 25 municípios, com 12 unidades de produção e 18 mil colaboradores, a empresa entendeu ter no território gaúcho condições favoráveis para o projeto de expansão. A começar pela mão de obra qualificada, explica José Antônio Ribas Júnior, diretor de Agropecuária da JBS. Essa especialização, acrescenta, traz a possibilidade de um mix de itens de alto valor.

Outro ponto favorável é o status sanitário diferenciado, que deve ganhar em maio um adicional, com a certificação da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) de zona livre de febre aftosa sem vacinação.

– Quando falamos em acessar mercados relevantes, esse status é ingresso para participar do jogo – observa o diretor.

E tem a infraestrutura de serviços já existente no entorno dessas plantas. Ao longo do anúncio feito com o governo do Estado, o presidente da JBS, Wesley Batista Júnior, falou sobre a importância do apoio do poder público para fazer "um investimento desse tamanho":

– A gente acredita muito no Rio Grande do Sul. Temos uma operação já relevante e vai se tornar cada vez mais.

O suporte a que se refere é o compromisso do Estado com a agilidade nos processos para colocar o empreendimento de pé.

– O que governo do Estado faz é buscar reduzir os custos para quem empreende – ressaltou o governador Eduardo Leite.

O aporte será direcionado para três das quatro áreas de atuação da JBS no RS (veja abaixo). O diretor de Agropecuária explica que haverá expansão em volume e qualificação da produção. Serão geradas mais 2,7 mil vagas de trabalho:

– Investimentos como esse mexem com as economias locais, geram retorno aos municípios. São mais de 20 mil famílias diretamente impactadas.

No detalhe

O aporte de R$ 1,7 bilhão será feito até 2023. Do total, 35% serão para unidades de frango em Trindade do Sul, Passo Fundo, Caxias do Sul e Nova Bassano.

Outros 32% serão aplicados no frigorífico de suínos em Seberi. E 33% nas unidades de alimentos preparados em Bom Retiro, Seberi e Santa Cruz do Sul

A projeção é de mais de 2 mil vagas de trabalho geradas

No último ano, a empresa aplicou R$ 270 milhões. Dos 18 mil postos de trabalho que tem, 1,7 mil foram criadas no ano passado

Há ainda mais de 2,8 mil produtores rurais que trabalham no sistema de integração

donald wilhite Professor e diretor emérito de Ciências Climáticas Aplicadas

Os conselhos do "doutor seca" para o Estado

O extenso conhecimento rendeu a Donald Wilhite o título de "doutor seca". Professor e diretor emérito de Ciências Climáticas Aplicadas na Escola de Recursos Naturais da Universidade de Nebraska-Lincoln, atuou extensivamente no Brasil. É autor de livros e coordena projeto sobre o tema financiado pelo Bird. Na tarde de hoje, às 16h, dividirá seus conhecimentos em evento do consulado dos EUA na Capital. A participação é aberta (inscrições no link bit.ly/3s2nS7l) e terá tradução simultânea. Abaixo trechos de entrevista à coluna.

Com base nos projetos que já desenvolveu, diria que faltam políticas públicas de enfrentamento à seca nos países da América do Sul ou são ineficientes?

Na sua maioria, países sul-americanos não têm políticas nacionais que são proativas e focadas na redução do risco da seca. Como parte de um projeto liderado pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, há alguns países da América do Sul que estão em estágios iniciais de desenvolvimento de políticas nacionais de combate à seca, como Paraguai, Bolívia e Equador.

Quais os maiores impactos da seca na produção?

A seca normalmente é o resultado da combinação de precipitações insuficientes e temperaturas acima do normal, que reduzem a produção. A dimensão dessa perda depende do momento em que ocorre, da intensidade da falta de umidade no solo, variação de temperatura e estágio de desenvolvimento. A seca afeta a eficácia de fertilizantes e nutrientes. A redução da produção se transfere à economia. Leva à perda de renda dos agricultores, que faz com que menos dinheiro seja gasto, menos impostos pagos e haja maior desemprego.

No Estado, estiagens são cíclicas. Ainda assim, há grandes perdas quando acontecem. É necessário mais preparação?

Com certeza. Alertas prévios ou sistemas de monitoramento e previsão mais acurada podem providenciar informação com antecedência, para que possam se adaptar para a seca em evolução. Enquanto secas podem ocorrer de tempos em tempos, não acontecem em ciclos. Então, não é eficaz supor que será um ano normal e esperar estiagem somente a cada cinco, sete anos. O momento em que acontecem é irregular e, nesta região, estão relacionadas com a ocorrência de fenômenos climáticos. É aí que a previsão pode ajudar. Os produtores também precisam fazer gestão da propriedade e determinar como se ajustar antes e durante a estiagem para reduzir riscos.

Em um país tão grande e de climas diferentes como o Brasil, como desenvolver uma política nacional de combate à seca?

Uma política nacional recomenda ou determina em que princípios estará focada a redução de risco. Isso é feito com a criação de uma comissão nacional, composta por líderes das principais agências/ministérios e stakeholders. O passo seguinte é a aplicação desses princípios na esfera estadual. É nesse nível que a política de enfrentamento à seca é ajustada ou adaptada à situação local e aos impactos mais significativos em razão da falta de chuva.

Como o produtor pode usar informações climáticas para a tomada de decisões?

Informações climáticas precisam ser customizadas para as necessidades dos produtores e para o momento certo. Isso significa que o desenvolvimento de ferramentas para o acompanhamento de clima deve ser feito de forma próxima aos produtores. É um processo em evolução.

Quais os benefícios do monitoramento, planejamento, mitigação e políticas de combate à seca?

Os benefícios primários são: melhor tomada de decisão, redução de impactos econômicos, sociais e ambientais, uma economia mais estável e melhorias da gestão de recursos naturais e financeiros e do ecossistema.

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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