CAMPO E LAVOURA | Ajuda em programa do Estado sai, mas não evita frustração

Para os produtores familiares que participam do programa Troca-Troca de Sementes do Estado, mais vale a ajuda de 32% do governo no pagamento do que uma anistia voando. A proposta apresentada ontem pela Secretaria da Agricultura, no entanto, deixou a desejar, na avaliação de entidades e de parlamentares. O aporte extra vinha sendo negociado, de forma mais intensa, há quase um mês – ainda que a sinalização do pedido tenha sido feita bem antes disso. Buscava diminuir os impactos da estiagem, que encolheu a produção gaúcha, com efeito direto sobre a renda.

– Essa proposta ficou ruim. Não é 60%, é 32%. Achamos que é pouco – disparou Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS), na reunião virtual da Comissão de Agricultura da Assembleia em que foi feito o anúncio.

A fala de Joel era um contraponto à matemática apresentada pelo secretário Covatti Filho, que falou em aporte estadual de 60%. A conta do titular leva em consideração os 28% de subsídio que são praxe no programa. No caso do milho safrinha, haverá anistia do valor que teria de ser pago pelos agricultores.

– As medidas ajudam, mas são insuficientes – completou o presidente da Fetag-RS.

Na conta da entidade, a ajuda extra alcançará, no máximo, R$ 204 por agricultor. O cálculo leva em consideração o limite que pode ser adquirido por CPF, de quatro unidades. O valor inicial da saca era de R$ 160. Com o subsídio original do programa, de 28%, caberia ao produtor pagar R$ 115,20. Com mais 32%, sinalizados agora, fica com R$ 64 a pagar.

Presidente e vice da Frente Parlamentar da Agropecuária, os deputados Edson Brum (MDB) e Elton Weber (PSB) também avaliaram como insuficiente o rebate oferecido.

Nas contas do governo, entra o valor total direcionado ao programa: R$ 13,59 milhões, somando o subsídio de 28% e o adicional (R$ 8,26 milhões para anistiar a safrinha e bancar os 32% da safra).

– Olhando em termos de orçamento, o Estado entra com 60%. Foi feita análise com a Fazenda do que era possível – diz Covatti Filho, que considera "substancial" o apoio financeiro do Estado ao programa diante "de queda de arrecadação, estiagem que afeta a economia e despesas na Saúde" .

O problema é que o agricultor contabiliza, além das perdas na safra, frustrações com a União. O bolsa-estiagem não saiu, e o auxílio de R$ 600 foi vetado.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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