CAMPO E LAVOURA | Agropecuária como porto seguro da economia do Estado

Com tantas indefinições no horizonte por conta do coronavírus, a agropecuária se apresenta como uma "bola de segurança" na economia do Rio Grande do Sul neste ano. Da mesma forma que a redução de safra intensificou a queda do PIB gaúcho em 2020, a retomada da produção, combinada a preços valorizados, produzirá um efeito positivo em 2021. É o que aponta o boletim conjuntural do Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria de Planejamento.

No documento anterior, liberado em janeiro, o tempo seco da primavera, com perdas no milho, trazia a sombra de nova estiagem. E colocava a agropecuária na relação de riscos. Quadro que ficou para trás a partir da chuva de janeiro e que põe o setor entre os fatores positivos.

– Além da perspectiva de aumento de produção, não se vê sinal de que preços devem baixar. A demanda tem aumentado, e a perspectiva é de seguirem elevados – reforça Vanessa Sulzbach, pesquisadora da Divisão de Análise Econômica do DEE.

O crescimento, pondera, é sobre uma base baixa de comparação, mas indica retomada. E produz efeitos em outras áreas. A indústria de máquinas e equipamentos, por exemplo, cresceu 47% nos dois primeiros meses deste ano, frente a 18% no país.

No setor de carnes, o ponto de atenção vem dos custos, justamente pela valorização de grãos que entram na ração dos animais. Para empresas que exportam, os resultados se mantêm favoráveis, principalmente por conta do apetite chinês. Para as que trabalham apenas no mercado interno, as margens têm ficado negativas.

Mesmo com o agro sendo um ponto positivo, o ritmo da atividade econômica gaúcha nos próximos meses será ditado pela evolução da pandemia, resume a análise do boletim.

Nesse contexto, entra, além do avanço da vacinação, o impacto da nova fase do auxílio emergencial concedido pelo governo federal. Como o valor é reduzido, a projeção é se tenha efeito diferente do de 2020, com ampliação substancial da demanda.

– Deve ajudar para esse momento, mas como foi reduzido à metade, tem um poder mais limitado. O aumento de preços faz as pessoas revisarem seus hábitos de consumo. Alguns produtos serão mais afetados do que outros – acrescenta Vanessa.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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