CAMPO E LAVOURA: Agricultura recompõe grupo para monitorar efeitos da pandemia

Com o objetivo de monitorar os efeitos da pandemia sobre a produção e o abastecimento de alimentos, o Comitê de Crise da Covid-19 do Ministério da Agricultura ganha novo fôlego com a atualização dos integrantes, conforme publicação do Diário Oficial da União de ontem. Criado logo após o advento da pandemia, em 30 de março de 2020, o grupo tem como tarefa também a busca por soluções para atenuar eventuais problemas detectados. Atividade essencial, o agronegócio não parou. Ainda assim, alguns segmentos foram impactados por conta das restrições impostas.

Está nesse grupo a produção familiar. O cancelamento das feiras do setor pesou no faturamento e, ainda que alternativas tenham sido encontradas, por meio de vendas online e telentrega, nada se compara ao alcance desses eventos. Eugênio Zanetti, vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS), lembra que, mais do que um canal de vendas, são uma vitrine. Cientes da necessidade de suspensão, diante da gravidade do quadro, o que os agricultores buscam são mecanismos de apoio.

– Não é só o pessoal que vai ali comprar, são os negócios alinhavados. Temos relatos de agroindústrias que perderam 80% do faturamento com o cancelamento das feiras. Por isso cobramos que o governo crie alguma alternativa – completa o dirigente.

A entidade já apresentou, no mês passado, a solicitação para que seja criada uma linha de financiamento que viabilize capital de giro ao segmento. Hoje e amanhã, Zanetti estará em Brasília para cobrar agilidade na liberação desse e de outros pedidos encaminhados ao ministério.

– O impacto que teve, principalmente no Rio Grande do Sul, foi a questão das feiras agropecuárias canceladas. Isso afetou as agroindústrias que participavam – observa Fernando Schwancke, secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo, acrescentando que o ministério está trabalhando para tentar viabilizar o crédito.

Para avançar, no entanto, é preciso aval do Conselho Monetário Nacional (CMN). Na prática, significa que pode não ser algo tão imediato.

Vale lembrar que o orçamento da União para 2021 ainda precisa passar pelo Congresso. Na Lei Orçamentária Anual, havia previsão de cortes nos recursos do Ministério da Agricultura. Assistência técnica e extensão rural, por exemplo, têm R$ 31,05 milhões estimados para 2021, o que representa 40% menos do que em 2020.

no radar

Tem reforço da Caixa nas linhas destinadas ao pré-custeio. O banco disponibilizará um total de R$ 12 bilhões para as operações, conforme anúncio feito ontem. Também abrirá 21 unidades de atendimento especializado ao agronegócio no país. A meta é chegar em 2022 com R$ 40 bilhões na carteira de crédito rural.

US$ 5,67 bilhões o valor alcançado pelas exportações brasileiras do agronegócio em janeiro deste ano – queda de 1,3% em relação a igual período do ano passado, conforme análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) com base em dados do Ministério da Economia. Em volume, as 10,16 milhões de toneladas embarcadas representam leve recuo, de 0,5%.

relatos de problemas no fornecimento de energia no meio rural estarão em pauta hoje em reunião da comissão de defesa do Consumidor da Assembleia com representantes da rge.

Armazenando crescimento

Depois de fechar 2020 com um aumento de 60% em receita, tendo o melhor resultado da última década, a Marcher Brasil projeta manutenção do crescimento neste ano. Fabricante de máquinas e equipamentos para armazenagem de produtos agrícolas em estruturas móveis (como os silos bag, na foto acima), estima uma expansão de 40% no faturamento em 2021. O otimismo se baseia na permanência de ingredientes que sustentaram o desempenho no ano passado e as apostas feitas para este: ampliação de linhas voltadas ao atendimento da pecuária e do portfólio de produtos especializados, além da alta de 100% nas exportações.

Este ano deve repetir o cenário de produtividade em alta. Em contrapartida, o déficit de armazenagem se mantém, sendo estimado em mais de cem milhões de toneladas no Brasil.

Fatores são vistos como motores de oportunidades e de desenvolvimento do segmento:

– A passagem de geração nos negócios familiares tem provocado um salto na tecnicidade e na tecnologia das operações no campo – completa Myriam Bado, CEO da Marcher Brasil, ao avaliar o crescimento no ano passado.

Outro ingrediente considerado importante foi o desenvolvimento de produtos – o dobro em relação a 2019 – para as demandas da pecuária.

E a largada foi positiva: os pedidos acumulados, segundo a empresa, já alcançam 30% da meta. Além disso, está prevista para o próximo mês a ampliação da planta industrial em Gravataí, que chegará a 7 mil metros quadrados de área construída.

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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